"Aconteceu justamente no momento em que estamos apresentando esses argumentos." Shu Nyatta conhece bem o Brasil, onde na última década despejou mais de R$ 550 milhões em empresas de diversos portes, em uma lista que inclui Nubank, Gympass e PicPay. Fazia referência ao provável ataque hacker que disparou alertas da Defesa Civil, no mês passado, com a palavra "misantropia".

"Convenhamos, não foi a pior coisa do mundo, mas seria o caos se o ataque fosse no Pix."

O ponto de Nyatta não era tanto as vulnerabilidades "de um dos países mais digitais do mundo", mas a solução: soberania em inteligência artificial para infraestruturas críticas, feita sob medida para países e governos pela Dream, empresa baseada em Tel Aviv e Viena.

Em junho, a Bicycle Capital, fundo de venture capital focado na América Latina que Nyatta montou com Marcelo Claure, co-liderou de uma rodada que levantou US$ 260 milhões (R$ 1,3 bilhão) na Dream. Com o aporte, a companhia alcançou US$ 3 bilhões (R$ 15,1 bilhões) em valor de mercado três anos após a sua fundação.

Em entrevista à Folha, o investidor americano nascido no Quênia explica como funciona a infraestrutura de IA soberana e como quer vendê-la para o Brasil.