0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Senadores Tereza Cristina e Ciro Nogueira, do Progressistas — Foto: Divulgação/Tereza Cristina O medo de futuras operações ordenadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Master e um suposto acordo de neutralidade com o governo Lula (PT) são apontados por aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como as principais razões para a decisão da federação União-PP de rejeitar a coligação com o PL e abrir mão de ter a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como vice na chapa que concorre à Presidência da República em outubro. Nos bastidores, porém, o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), tem usado uma espécie de número mágico como justificativa: a meta de eleger ao menos 40 deputados na próxima eleição, o que, segundo ele, só se viabiliza se a federação não tiver candidato a presidente. Segundo esse cálculo, não ficar neutro pode ser fatal em alguns estados em que caciques da legenda disputam as eleições, como em Pernambuco, onde o deputado federal Eduardo da Fonte irá concorrer ao Senado. Os principais concorrentes ao governo pernambucano — o ex-prefeito João Campos (PSB) e a governadora Raquel Lyra (PSD) — disputam o capital político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O próprio Ciro, conforme pesquisas recentes de intenção de voto, enfrenta uma disputa acirrada pela reeleição contra nomes da base governista. No Piauí, onde o governador Rafael Fonteles (PT) lidera a corrida pela reeleição, o senador Marcelo Castro (MDB) e o deputado federal Júlio César (PSD) são seus principais adversários. A federação União-PP tem hoje a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 98 parlamentares, o que reflete em um fundo eleitoral de quase R$ 1 bilhão em 2026. Garantir que esse poderio continue intacto é a prioridade, e, para isso, é preciso, além de não sofrer com mais operações da Polícia Federal (PF), fazer uma bancada respeitável no próximo pleito. Aliados próximos de Ciro dizem que, seja quem for eleito, terá a federação como parte da base, como já ocorreu no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e agora com Lula. Daí porque não há motivo para pressa em fechar coligação com Flávio. “Estaremos em qualquer governo, desde que a bancada seja grande. Essa é a prioridade e para isso não podemos carregar o peso de Flávio Bolsonaro em estados importantes”, diz um aliado. A demora de Flávio Como mostrou o blog, outro fator que culminou na decisão de manter a neutralidade foi a demora de Flávio em procurar Tereza. Embora a senadora tenha sido citada muitas vezes pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, como a vice ideal para o filho de Jair Bolsonaro, o próprio Flávio nunca tinha conversado com Tereza Cristina até a última quarta-feira. Nessa conversa, a senadora sinalizou que toparia compor a chapa, desde que a federação formada pelo PP e pelo União Brasil aprovasse – o que o próprio partido rechaçou em uma nota pública, divulgada na sexta-feira, em que reafirmou que vai ficar neutro na disputa pelo Palácio do Planalto. Tereza Cristina foi ministra da Agricultura no governo Bolsonaro e também foi cotada como vice na chapa da reeleição do então presidente, que resistiu à ideia e escolheu o general Walter Braga Netto (PL) a despeito dos apelos de Valdemar e Ciro. A frustração com o desfecho das conversas com Tereza Cristina reflete o clima geral de preocupação com a falta de rumo da campanha. Na última semana, Flávio trocou de marqueteiro pela segunda vez. Saíram Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer e entrou Duda Lima, que fez a campanha de Jair Bolsonaro em 2022 e desde então cuida do marketing do PL. Além das muitas críticas ao tom utilizado nas propagandas, integrantes da cúpula do PL também consideraram que a convenção do partido foi ruim e desorganizada. Um exemplo citado várias vezes foi o fato de o discurso de Flávio ter acontecido com muito atraso e com o centro de convenções do Pacaembu esvaziado, quando boa parte das caravanas já deixava o local para voltar para casa.