Ferramentas digitais passam a ocupar espaço na vida afetiva, mas brasileiros ainda traçam limites entre companhia virtual e conexão humana 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 IA pode virar companhia amorosa? Solteiros brasileiros revelam limites entre tecnologia e romance — Foto: Magnific A inteligência artificial deixou de estar restrita a tarefas práticas e passou a ocupar um espaço mais íntimo na rotina de algumas pessoas: o das conversas, da escuta e da reflexão sobre sentimentos. Entre solteiros, a aproximação com os chamados "parceiros de IA" começa a levantar uma nova discussão sobre os limites entre apoio emocional, companhia digital e conexão afetiva real. Uma pesquisa do happn, aplicativo de relacionamentos, identificou uma tendência chamada de "Situationship com IA", em que a tecnologia funciona como uma espécie de espelho emocional. A proposta, segundo o levantamento, não seria substituir relações humanas, mas ajudar algumas pessoas a compreender melhor desejos, inseguranças e expectativas antes de se envolverem com alguém. No Brasil, porém, a relação dos solteiros com essa possibilidade ainda é dividida. Metade dos entrevistados afirmou que aceitaria que o parceiro tivesse um vínculo próximo com uma inteligência artificial, enquanto 42% disseram que se sentiriam desconfortáveis com a situação e 8% classificariam esse tipo de conexão como uma "traição emocional". Apesar da curiosidade pela tecnologia, a maioria mantém uma distância quando o assunto é intimidade. De acordo com o levantamento, 78% dos brasileiros preferem limitar o uso da IA a funções como conversas rápidas e auxílio na escrita. Ao mesmo tempo, 27% admitem recorrer a companheiros virtuais como uma forma de amenizar momentos de solidão. Entre os usuários da Geração Z, a inteligência artificial também aparece mais como ferramenta de apoio do que como substituta de um relacionamento. O estudo aponta que 83% ainda não incorporaram a tecnologia à rotina de encontros, mas demonstram interesse em recursos que facilitem a vida amorosa, como conselhos sobre comportamento (47%), sugestões de lugares para encontros (54%) e planejamento de programas (21%). A discussão também envolve a segurança das relações digitais. Plataformas de namoro passaram a adotar medidas para identificar perfis falsos e interações automatizadas, em uma tentativa de preservar a confiança entre usuários. "À medida que a tecnologia de IA evolui, nossas estratégias para proteger essa autenticidade também precisam evoluir. Embora a gente aproveite a tecnologia para proteger nossa comunidade e ajudar os solteiros a planejarem momentos inesquecíveis, traçamos um limite bem claro contra a falsa intimidade. Ao combater ativamente fraudes geradas por IA e aplicar medidas rigorosas de controle, reforçamos nosso compromisso de que a paquera deve continuar sendo humana, preservando a integridade e a sinceridade de cada conexão real feita em nossa plataforma", afirma Karima Ben Abdelmalek, CEO e Presidente do happn. O avanço dessas ferramentas também amplia uma discussão sobre o papel da tecnologia na vida afetiva. Mais do que um recurso prático, a inteligência artificial começa a ser experimentada como uma forma de companhia emocional, revelando novas maneiras de lidar com a solidão, o afeto e a busca por conexão em uma rotina cada vez mais digital.