Pesquisa revela que metade dos adolescentes tem dificuldade de fazer amizades; meninas são as que mais conversam com inteligências artificiais por solidão IA vira companhia para 1 em cada 5 adolescentes brasileiros, aponta pesquisa — Foto: Pexels/PM RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 21:45 Adolescentes enfrentam solidão; 19% buscam IA como companhia Pesquisa da Arco Educação revela que 52% dos adolescentes brasileiros têm dificuldade em fazer novas amizades, e 19% recorrem à IA como companhia. Meninas são as mais afetadas pela solidão, e 33,4% delas têm dificuldade em formar amizades. O estudo destaca a importância de programas de Educação Socioemocional para combater o isolamento e sugere diálogo familiar sobre o uso de IA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Mais da metade dos adolescentes brasileiros relata dificuldade para fazer novas amizades, e quase um em cada cinco (19%) já recorre à inteligência artificial (IA) como companhia quando se sente sozinho ou precisa conversar. É o que mostra uma pesquisa da Arco Educação com 936 estudantes da rede privada, do 6º ano do ensino fundamental até o 3º do ensino médio, que aponta um cenário de isolamento emocional e fragilidade nos vínculos sociais entre os jovens. Os dados mostram que 52% dos jovens afirmam ter alguma ou muita dificuldade para fazer novas amizades, enquanto 17% dizem sentir solidão de forma frequente. O relatório ressalta que o sofrimento desta geração está, sobretudo, na incapacidade de aprofundar ou renovar laços. — Há um deslocamento das relações humanas entre adolescentes, que desenvolvem um maior apego e relações de confiança com ferramentas de IA do que com pessoas. Isso reduz o engajamento em relações interpessoais e pode, inclusive, aumentar a sensação de solidão — explica Francila Novaes, gerente de estratégia pedagógica socioemocional da Arco Educação e líder do estudo. Novaes destaca que uma IA “é responsiva e não há fricção no convívio” com quem a acessa. Dessa forma, a relação da ferramenta com o jovem “não pode oferecer a gama de situações interpessoais necessárias para o desenvolvimento de habilidades importantes, como a autorregulação, a comunicação, a capacidade de escutar o outro e sentir empatia”. Estudantes brasileiros recorrem à IA por solidão — Foto: Arte O Globo — Em outras palavras: aprender a lidar com um amigo de mau humor, com mal-entendidos e com reciprocidade é parte do crescimento e é mais difícil do que conversar com uma ferramenta que tende a concordar e bajular o usuário — complementa Novaes. Para comparar a situação brasileira com a de outros países do mundo, o estudo cruzou os dados do levantamento com a escala global de solidão da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). O resultado mostra que os estudantes do Brasil avaliados ficaram no limite superior da zona considerada “moderada”, mas muito próximo da classificação “moderadamente alta”. O indicador que mais destoa negativamente das métricas globais é justamente o desafio da renovação ou expansão dos círculos de amizade. Se no Brasil 28,7% dos alunos responderam “sempre” sentir dificuldade de fazer novos amigos, o percentual de jovens de outros países com o mesmo problema não passa de 25%. Dificuldades das meninas Os dados também revelam disparidades acentuadas de gênero. Um grupo maior de meninas relata ter dificuldade em formar amizades (33,4% contra 20,1% dos meninos) e maior sensação de distância social (23,8% contra 11,8%). Também são elas que mais conversam com IAs por solidão (23,8% contra 12,3%). O temor do impacto da relação dos jovens com IA como meio de suprir a solidão virou tópico de discussão em famílias com crianças em crescimento. Psicóloga e mãe de um menino de 9 anos, Kathlin Coelho relata sua preocupação de que essa prática seja adotada pelo filho. — A IA responde, e as pessoas têm a falsa ilusão de que estão sendo correspondidas. Não deixo meu filho acessar sozinho essa ferramenta. Se adultos estão tendo problemas com isso, imagine o potencial danoso para crianças — defende Coelho. O grupo de estudantes que preferiu não declarar o gênero durante a pesquisa (4,9%) apresentou perfil mais crítico de vulnerabilidade, segundo o estudo. Neste recorte, 50% sofrem com passividade social, esperando que os outros os procurem para a formação de vínculos, 39% sentem solidão frequente. Já apenas 28% dizem se sentir queridos pelas pessoas ao redor. No ensino médio, segundo o estudo, a sensação de isolamento se agrava. O índice de solidão frequente salta de 16% nos anos finais do ensino fundamental para 25,7% entre os estudantes da etapa seguinte. Outro resultado destacado pelos pesquisadores é o de que 32% de todos os entrevistados sentem que as pessoas raramente ou nunca têm interesse pelo que dizem. Por outro lado, o estudo traz um resultado positivo: 65% dos jovens afirmam que são tratados com respeito e gentileza pelos colegas de classe na maior parte do tempo ou sempre. Apoio socioemocional A pesquisa identificou que a presença de programas estruturados de Educação Socioemocional, que vão além do conteúdo acadêmico tradicional, ajuda a proteger a saúde mental dos jovens. Os dados mostram que as escolas avaliadas que adotam programas do tipo superam os demais colégios em cinco das dez dimensões avaliadas. Quatro em cada dez (41,3%) entrevistados estudam em colégios com iniciativas ativas neste campo. Nas escolas com programas socioemocionais, houve uma redução de 5,3 pontos percentuais no sentimento de falta de pertencimento e uma queda de 2,8 pontos percentuais no de solidão frequente. Já colégios sem projetos estruturados nesse campo registram os maiores índices de falta de pertencimento (21,1%) e o uso mais elevado de IA como refúgio social (20%). Uma das escolas que aplica o programa é o colégio Educar Guarulhos, em São Paulo. Segundo Renata Batista, diretora da instituição, a “aprendizagem acontece de forma mais significativa quando o estudante se sente acolhido, respeitado e pertencente ao ambiente escolar”. — Por isso, promovemos, em nossa rotina, momentos de escuta, acompanhamento individual, mediação de conflitos, programas de convivência e ações que desenvolvem a empatia, a autonomia e o protagonismo. Buscamos olhar para cada estudante de forma integral, considerando não apenas seu desempenho acadêmico, mas também seu desenvolvimento emocional e social — destaca Batista. Como agir Francila Novaes, da Arco Educação, aconselha as famílias a usarem o diálogo permanente como estratégia para lidar com o uso da IA pelos adolescentes. — Proibir e espionar podem não gerar os resultados esperados. É importante que as famílias conversem sobre o uso da IA sem julgamento, ajudando os adolescentes a perceberem que as IAs são programadas para concordar e não substituem amigos reais com pontos de vista divergentes e genuínos. A recomendação mais consistente é tratar a IA como uma ferramenta e não como um amigo. Segundo a especialista, o uso da IA deve ser mediado pela família e pelas escolas, com regras e limites, mas sempre abrindo espaço para o diálogo e a negociação com os adolescentes. — É importante não tratar a ferramenta como um suporte de apoio às questões de saúde mental. Ao observar sinais de alertas é importante consultar um profissional de saúde especializado — reforça.
Jovens trocam amigos por IA: 19% usam tecnologia para ter companhia, diz estudo
Pesquisa revela que metade dos adolescentes tem dificuldade de fazer amizades; meninas são as que mais conversam com inteligências artificiais por solidão











