Satsuki Katayama, ministra de Finanças do Japão — Foto: Shoko Takayasu/Bloomberg O Japão e os Estados Unidos realizaram uma intervenção coordenada para fortalecer o iene, confirmou oficialmente o Ministério das Finanças japonês nesta segunda-feira (3). Foi a primeira ação conjunta dos dois países no mercado cambial desde 2011. A ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou em comunicado que a medida teve como objetivo conter a recente "volatilidade excessiva e os movimentos desordenados" da moeda japonesa. Segundo ela, o governo não hesitará em adotar novas ações, se necessário. Questionado sobre a operação no domingo (2), a bordo do Air Force One, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Japão "tinha um iene em desvalorização e queria um pouco de ajuda". "Estamos sempre ao lado do Japão", afirmou Trump, acrescentando que o apoio à moeda japonesa é "bom para a economia mundial". O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também sinalizou disposição para novas ações. Em comunicado divulgado no domingo, disse que Washington "não hesitará em participar de novas intervenções conjuntas". Antes da operação, o iene era negociado perto do menor nível em cerca de 40 anos frente ao dólar, aproximando-se de 164 por dólar. Como parte de uma série de medidas coordenadas iniciadas na quinta-feira (30), as autoridades americanas venderam euros e compraram ienes. Com isso, a moeda japonesa chegou a cerca de 157,20 por dólar na sexta-feira (31), seu maior valor desde meados de maio. Intervenções simultâneas de duas ou mais autoridades monetárias costumam ser reservadas para situações excepcionais. A última ocorreu em 2011, após o terremoto e o tsunami que devastaram o nordeste do Japão. Antes disso, Japão e EUA haviam atuado juntos para comprar ienes em 1998, durante a crise financeira asiática. Por causa do forte impacto sobre os mercados, esse tipo de operação costuma ser alvo de críticas. A ex-secretária do Tesouro Janet Yellen defendia que intervenções cambiais deveriam ser "raras" e que economias avançadas não deveriam buscar influenciar as taxas de câmbio. Já a equipe de Scott Bessent avalia que um iene excessivamente fraco pode provocar efeitos negativos sobre a economia americana. "Os EUA veem isso como uma vantagem para as exportações japonesas e um prejuízo para a economia americana", afirmou um funcionário do Ministério das Finanças do Japão. Outra preocupação é que uma venda generalizada de ativos japoneses acabe atingindo também os títulos do Tesouro americano, elevando os juros e pressionando financiamentos imobiliários e outras condições financeiras. Na quinta-feira (30), Bessent afirmou à Fox Business que o iene estava subvalorizado. No dia seguinte, escreveu no LinkedIn que aguardava o encontro com o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, durante a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, em agosto, nos Estados Unidos. A expectativa é que o banco central japonês enfrente pressão para elevar os juros em sua próxima reunião de política monetária, marcada para setembro. Segundo um funcionário do governo japonês, as negociações para uma ação coordenada ganharam força gradualmente. Uma declaração conjunta divulgada por Bessent e autoridades japonesas, em setembro de 2025, foi um passo importante para viabilizar a intervenção. Em 30 de abril de 2026, o governo japonês e o Banco do Japão já haviam vendido dólares para comprar ienes, mas a iniciativa unilateral não conseguiu interromper a desvalorização da moeda. A eficácia da intervenção mais recente, porém, ainda será testada. Os mercados acompanham a possibilidade de aumento da emissão de títulos da dívida pública japonesa para financiar as políticas tributárias e de gastos da primeira-ministra Sanae Takaichi.