EUA anunciam novo tarifaço sobre o BrasilNova taxa é resultado de investigação norte-americana sobre trabalho forçado. Crédito: Edição: Júlia PereiraGerando resumoBRASÍLIA — Quando os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais desleais - como o Pix -, um grupo de 1,6 mil empresários do setor de rochas naturais do Espírito Santo começou a discutir o que fazer para amenizar os impactos.No ano passado, os produtos haviam sido taxados em 50% por Donald Trump. As tarifas foram derrubadas pela Justiça americana em fevereiro deste ano e as vendas tinham começado a voltar, mas não deu tempo. O governo americano aplicou uma nova sobretaxa, desta vez de 25%, ao Brasil, que entrou em vigor no dia 22 de julho.Exportações de rochas naturais foram atingidas por novo tarifaço de Donald Trump. Na foto, o empresário Eutemar Venturim, dono da Bramagran, que vende para os Estados Unidos, com uma peça de quartzito Patagônia, tarifado em 12,5%. Foto: Hermes Barreto netoPUBLICIDADEEntre as mercadorias atingidas ficaram o granito e o mármore. O Espírito Santo é responsável por 80% das exportações brasileiras no segmento. A saída encontrada foi reorganizar o mercado para exportar mais quartzito, especialmente o Patagônia - considerado mais exótico, caro e muito requisitado pelos americanos. Dias depois, porém, a rocha foi taxada pela nova tarifa de 12,5%, juntamente com as outras. A soma das tarifas fez municípios do Espírito Santo ficarem entre as cidades mais atingidas pelo novo tarifaço de Trump, como o Estadão mostrou. Entre eles está Castelo, de 39 mil habitantes. “Tivemos a tarifa de 50%, que afetou bastante. Nossa empresa exportava mais granito e mármore, e migramos para o quartzito, que não estava sendo taxado”, diz Eutemar Venturim, fundador da Bramagran, que reúne mais de 200 colaboradores no município e exporta para os americanos desde 2003. PublicidadeA migração para o quartzito no ano passado fez até as vendas aumentarem. Agora, tudo precisará ser replanejado. “Não tem margem para absorver isso. Até porque o custo do Brasil está subindo muito e as margens já estão bem apertadas. Se nada for feito, se os clientes não absorverem o valor da taxa lá (nos EUA), o efeito vai ser o cancelamento mesmo e a redução das vendas.”A reorganização não é automática. As rochas são vendidas para empresas nos Estados Unidos que fabricam pias, lavatórios e outras peças para banheiros, cozinhas e hotéis. As empresas capixabas vendem chapas de rochas que praticamente só os americanos compram - o que dificulta a inserção dos produtos em outros mercados. Os americanos preferem peças de três centímetros de espessura, enquanto no resto no mundo o tamanho aceito é de dois centímetros, explica o empresário. “É uma questão cultural”, diz Venturim. A cor também é um entrave. O granito preto, tão consumido no Brasil, tem entrada praticamente próxima a zero nos Estados Unidos. PublicidadeA empresa não fez cortes até o momento e busca outros mercados para escoar o produto. “Se parar hoje, eu tenho 90 dias de estoque de material que não vende (em outro lugar)”, afirma o exportador. “Se ficar com o pátio todo cheio de material pronto e o mercado não absorver, isso obriga a ter uma redução de pessoal dentro da indústria.”Em MG, tarifaço faz exportador de joias repensar presença em feiras e investimentosO tarifaço não atingiu a maior parte das exportações brasileiras, mas os impactos foram mais sentidos localmente. Em Minas Gerais, Estado vizinho ao Espírito Santo, a taxação afetou mais de 130 empresas que vendem pedras preciosas para os americanos. O setor está concentrado principalmente em Belo Horizonte, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri e Vale do Aço.Os exportadores de joias viveram o mesmo roteiro do segmento de rochas naturais, sendo taxados em 50% no ano passado e agora, com as novas tarifas. O setor encerrou 2025 com uma diminuição de 23% nas exportações para os Estados Unidos, incluindo joias, pedras preciosas, bijuterias e folheados.PublicidadeCom tarifaço, empresas brasileiras estimam queda de 35% nas exportações de joias e pedras preciosas para os Estados Unidos. Na foto, Murilo Graciano, dono da Graciano Special Gems, de Belo Horizonte, que atua há três décadas no mercado americano