Ataques acontecem apesar de anúncio de Trump sobre avanços em cessar-fogo Ataques de Israel em Gaza neste domingo mataram pelo menos 15 palestinos — Foto: Abdel Kareem Hana/AP Ataques aéreos israelenses atingiram Gaza pelo segundo dia consecutivo no domingo (2), matando pelo menos 15 palestinos, segundo relataram médicos, apesar do anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um avanço nos esforços para implementar o acordo de cessar-fogo do ano passado. Desde o amanhecer, caças israelenses bombardearam a Cidade de Gaza, no norte, a cidade central de Deir al-Balah e a área sul de Khan Younis, causando o maior número diário de mortes em semanas, de acordo com autoridades de saúde palestinas. A afirmação feita por Trump na quinta-feira (30) de que militantes do Hamas e outros grupos armados haviam concordado em se desarmar havia gerado esperanças de uma virada nos esforços para encerrar o conflito. No domingo, o ministro de Energia de Israel, Eli Cohen, membro do gabinete de segurança do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, afirmou que o governo daria ao Hamas a oportunidade de se desarmar, mas que estava “muito cético” de que isso acontecesse. Cohen declarou à Rádio do Exército de Israel que não houve acordo para interromper os ataques a Gaza e que via a necessidade de Israel, que já controla 70% do enclave, assumir o controle total da região caso o Hamas não se desarmasse. “No acordo que assinamos com os EUA, nossa postura é a de que o Hamas deve ser desmantelado. Esta é a primeira coisa que precisa acontecer”, acrescentou. Ataques atingem tendas, apartamento e casa em Gaza, dizem médicos Ataques em Deir al-Balah mataram pelo menos quatro pessoas, informaram autoridades de saúde palestinas, e uma investida separada feriu cinco pessoas e incendiou algumas tendas em Mawasi, perto de Khan Younis, de acordo com o serviço de emergência civil. Um casal e seu filho de 9 anos foram mortos em um ataque contra uma casa em Mawasi, disseram autoridades palestinas. Outro casal foi morto junto com seu filho em um ataque a um apartamento na Cidade de Gaza, onde outras duas pessoas morreram em um ataque a uma tenda próxima ao escritório da missão de representação do Egito, relataram médicos. Mais tarde, no domingo, outras duas pessoas foram mortas no bairro oriental de Zeitoun, na mesma cidade, acrescentaram. Uma pessoa foi morta perto de Jabalia, no norte de Gaza, informaram autoridades palestinas. O exército de Israel afirmou que um ataque a um apartamento em Deir al-Balah teve como alvo dois comandantes da força de elite “Nukhba” do Hamas. Os ataques na Cidade de Gaza e em Jabalia também visaram “agentes militares”, mas o exército ainda estava revisando a situação, acrescentou. Pelo menos 1.230 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde que um cessar-fogo foi alcançado em outubro, de acordo com as autoridades de saúde de Gaza. O Hamas não divulga números sobre seus mortos em combate. Quatro soldados israelenses foram mortos no mesmo período, segundo contagens de Israel. Hamas afirma ter demonstrado flexibilidade O Conselho da Paz de Trump, o órgão liderado pelos EUA que supervisiona o cessar-fogo, publicou na sexta-feira (31) um roteiro de 15 pontos que estabelece os passos finais para a implementação do acordo. O Hamas declarou que Israel deve interromper seus ataques em Gaza e retirar suas tropas, em conformidade com outros termos-chave do acordo de cessar-fogo, antes de concordar em entregar armas a um novo órgão palestino nomeado para administrar Gaza. Um alto funcionário do Hamas afirmou no domingo que o grupo demonstrou “considerável flexibilidade”, mas acusou Israel de querer impor uma situação de fato no terreno ao intensificar seus bombardeios. “Essa escalada, que coincide com o progresso na via política, demonstra claramente que o governo de ocupação busca minar os esforços voltados para encerrar a guerra e impor fatos no terreno pela força”, disse Basem Naim em um comunicado. O ex-alto funcionário do Fatah Mohammed Dahlan, radicado nos Emirados Árabes Unidos, afirmou em uma postagem no Facebook que Jared Kushner, genro de Trump e conselheiro sênior envolvido na iniciativa americana, lhe disse estar trabalhando com o lado israelense para interromper os ataques a Gaza. Dahlan disse que os contatos com os EUA continuam para garantir a plena implementação do acordo, acrescentando que o sucesso da iniciativa agora depende de Israel encerrar totalmente seus ataques diários a Gaza. A Reuters entrou em contato com o Departamento de Estado dos EUA para obter comentários sobre as declarações de Dahlan. Não houve comentários imediatos por parte de Israel.