Número de mortos desde outubro, quando acordo entre Israel e Hamas foi assinado, corresponde a média de quatro por dia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Mulheres palestinas lamentam morte de entes queridos em ataque aéreo israelense durante funeral no Hospital Nasser, em Khan Yunis — Foto: Bashar Taleb / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 15:19 Cessar-fogo não impede mais de mil mortes em Gaza desde outubro Apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA, ataques israelenses em Gaza resultaram em mais de mil mortes desde outubro. A média de quatro mortes diárias destaca a gravidade do conflito, com relatos de vítimas civis, incluindo crianças e mulheres grávidas. Simultaneamente, a violência na Cisjordânia aumenta, impulsionada por colonos judeus, gerando tensões adicionais na região. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Enquanto líderes mundiais pedem a total implementação do anunciado acordo entre EUA e Irã para interromper a guerra no Oriente Médio e desbloquear o Estreito de Ormuz, as Forças Armadas de Israel voltaram a atacar o sul do Líbano nesta quarta-feira, em um lembrete de que um dos pilares do processo diplomático entre Washington e Teerã está apoiado sobre compromissos de um aliado americano que segue mobilizado em várias frentes de guerra. Ações israelenses mataram mais de mil pessoas na Faixa de Gaza desde o início do cessar-fogo de 11 de outubro nesta semana, enquanto fontes palestinas relatam incidentes violentos com colonos na Cisjordânia. A contagem de mortos em Gaza desde o acordo mediado pelos EUA chegou a 1.003 nessa terça-feira, segundo dados do Ministério da Saúde do enclave palestino, admitidos por organizações humanitárias israelenses e internacionais como fidedignos. Outros ataques foram realizados desde então, com novas mortes confirmadas. Ao menos duas pessoas morreram em um bombardeio em al-Mawasi, no sul da Faixa de Gaza, nesta quarta, segundo a Defesa Civil do enclave. Os números indicam uma média de quatro mortes por dia no enclave desde o cessar-fogo, apesar das promessas de desescalada. Em resposta a questionamentos do jornal israelense Haaretz, o Exército israelense afirmou que os ataques realizados no período visavam "alvos militares" ou suspeitos que se aproximaram da Linha Amarela — área para a qual recuaram as tropas israelenses desde o acordo mediado pelos EUA. Os militares apontaram ainda que as ações tentaram minimizar os danos civis. A publicação israelense, porém, narra uma série de casos em que as vítimas eram crianças e mulheres grávidas, e que foram mortas sem representar qualquer ameaça imediata. Segundo os dados oficiais, 121 mulheres (sendo 12 idosas) e 253 menores de idade estão entre os mortos. A ONU indicou em um relatório que em 48 casos verificados pela organização, todas as vítimas eram menores de idade, e citou preocupações sobre "as forças israelenses visarem diretamente" crianças e adolescentes. Garoto palestino sentado em escombros de prédio atingido por ataque israelense na Faixa de Gaza — Foto: Omar AL-QATTAA / AFP O impacto civil dos ataques israelenses acompanha o que foi descrito por fontes ouvidas pelo Haaretz como uma mudança no processo de autorização de bombardeios desde o atentado terrorista de 7 de outubro de 2023, lançado pelo Hamas. As regras a respeito do cálculo de "danos colaterais" admitidos foram afrouxadas, disseram as fontes, variando de acordo com a importância do alvo. A letalidade no período de cessar-fogo foi impulsionada majoritariamente por ataques lançados remotamente, mostram os dados. 569 mortes foram provocadas pelo disparo de mísseis, 44 por disparos de artilharia, 53 por drones (explosivos ou de disparo), enquanto apenas 138 foram decorrentes de disparos de armas leves. Os militares alegaram ao Haaretz dificuldades de distinguir entre civis que se aproximam da Linha Amarela com objetivos pacíficos e potenciais ameaças. O Ministério da Saúde de Gaza afirmou na terça-feira que 73 mil pessoas foram mortas no enclave desde o início do confronto. As autoridades palestinas ligadas ao Hamas, que controla instituições políticas do enclave, não diferenciam combatentes e civis. Violência na Cisjordânia Enquanto os ataques lançados pelas Forças Armadas de Israel provocam baixas em Gaza apesar do cessar-fogo, uma escalada de violência é impulsionada por colonos judeus na Cisjordânia, onde as autoridades israelenses autorizaram uma grande expansão de assentamentos, considerados ilegais pelo Direito Internacional. Em um dos ataques mais recentes, duas mesquitas foram incendiadas no território palestino mais ao norte nesta quarta-feira. Em Jiljiliya (centro), a cerca de dez quilômetros ao norte de Ramallah, uma equipe da AFP constatou indícios de incêndio e vandalismo, com inscrições nas paredes carbonizadas dizendo: "Vingança", "A noite das mesquitas" e "Saudação dos Hilltop Youth", em referência a um grupo de jovens colonos extremistas. "Os colonos incendiaram o salão de abluções, danificaram a mesquita principal do vilarejo e escreveram mensagens hostis nas paredes externas", declarou Osama Abdula, representante do conselho local, afirmando que os criminosos atacaram o local durante a madrugada. Um homem palestino passa pela mesquita danificada, supostamente queimada por colonos israelenses durante a noite, com um dos grafites em hebraico dizendo "nekama" ou "vingança" pintado na parede, na vila de Jiljlia, na Cisjordânia, ocupada por Israel, ao norte da cidade de Ramallah, na Cisjordânia, em 17 de junho de 2026 — Foto: ILIA YEFIMOVICH / AFP Outro incêndio ocorreu na localidade vizinha de al-Mazra al-Nubani, a menos de dez quilômetros de distância, segundo o prefeito Saad Dagher. Um pequeno grupo de colonos lançou um coquetel molotov contra a mesquita Al Faruk Umar ibn al Jattab e fugiu quando os habitantes do vilarejo saíam de suas casas, detalhou. "Tentaram incendiá-la, mas o fogo atingiu apenas uma parte do edifício", explicou o prefeito, que destacou ter sido o primeiro ataque contra uma mesquita, após relatos de atos de vandalismo contra residências e instalações agrícolas. Esses atos foram condenados tanto pelo Ministério de Assuntos Religiosos palestino, pelo Hamas e pelo Exército israelense — que ocupa a Cisjordânia desde 1967 e condenou "veementemente incidentes desse tipo". Os militares disseram ter aberto uma "investigação". Sem contar Jerusalém Oriental, ocupada e anexada por Israel, mais de 500 mil israelenses vivem na Cisjordânia em assentamentos considerados ilegais pela ONU, entre cerca de 3 milhões de palestinos. Dados publicados na semana passada pelas Nações Unidas indicam que a violência dos colonos chegou a um ritmo "recorde", com uma média de seis ataques diários. (Com AFP)