Já houve filmes sobre a solidão. Em alguns deles basta um plano para descobrir a solidão, o vazio, a depressão de um homem. Há filmes que se passam em vilas de pescadores desoladas como esta. Mas cada um deles consegue transmitir uma ideia de vida, ou de tragédia, de agonia. Precisam para isso de poucos segundos.
A opção de "Margeado" é nos colocar diante do nada, do precário da existência, durante 15 minutos em que nada acontece. Houve uma ruptura de barragem, consta. O que resultou disso? O encontro de um mar meio limpo com um rio arquipoluído. É uma coleção de paisagens, às vezes habitadas por pessoas tristes. E depois? Mais ou menos nada.
De repente, alguém reclama da vida. Um rapaz em sua moto prepara-se para deixar o lugar. Logo entra em cena uma guia que conta ao casal de turistas uma história razoavelmente sinistra sobre o naufrágio de um navio. O casal desaparece.
A senhora que aparentemente conduz a trama está agora em frente à sua casa, à noite. Uma outra senhora se aproxima. Pergunta se ela lembra da árvore que alguém plantou quando morreu a filha com apenas nove meses. A árvore cresceu, está enorme. A dona da casa responde: "Enquanto a gente tiver sangue, a gente há de dar de beber a essa árvore". As duas ficam imóveis. Pensam.






