Após uma tendência de alta desde 2002, os votos nulos e brancos caíram significativamente em 2022 para todos os cargos em disputa naquele ano. O movimento ocorreu em meio à eleição presidencial mais acirrada desde a redemocratização, entre o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Especialistas apontam o acirramento da polarização como uma das hipóteses para a redução na invalidação dos votos. Não há, porém, clareza sobre como o eleitorado deve se comportar no pleito deste ano.

O percentual de votos inválidos para presidente, no segundo turno, caiu de 9,6% em 2018 para 4,6% em 2022, o menor desde a adoção integral das urnas eletrônicas nas eleições federais, em 2002.

"A literatura destaca que eleições muito competitivas, não necessariamente com polarização, mas em que as pesquisas mostram uma pequena margem de vantagem para um ou outro, aumentam a importância relativa do voto, o que motiva os eleitores a escolher um candidato. O fato de ter sido uma eleição muito competitiva e polarizada é possivelmente o que explica essa diferença [queda de votos inválidos]", afirma o cientista Julian Borba, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

A cientista política Luciana Santana, da UFAL (Universidade Federal de Alagoas), afirma que a polarização na eleição presidencial pode ter se refletido nas escolhas para deputado federal, estadual e distrital, senador e governador, que também apresentaram redução em votos em branco e nulos.