O economista francês Frédéric Bastiat escreveu que a diferença entre um bom e um mau economista está em olhar não apenas para aquilo que se vê, mas também para aquilo que não se vê. A frase ajuda a explicar um dos erros mais comuns dos investidores quando o Banco Central inicia um ciclo de queda da taxa Selic. A redução da taxa básica é a parte mais visível da história. Os juros de longo prazo, que continuam elevados, são justamente a parte menos percebida, mas a mais importante.
Se tudo ocorrer como esperado, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduzirá a Selic de 14,25% para 14% ao ano nesta quarta-feira (5). Muitos interpretarão essa decisão como um sinal para aumentar a exposição a ações, fundos imobiliários e outros ativos de risco. Em ciclos normais, essa leitura costuma fazer sentido. Dessa vez, porém, o mercado de juros transmite uma mensagem diferente.
A Selic é a taxa de curtíssimo prazo definida pelo Banco Central. Já financiamentos, investimentos empresariais, ações e imóveis são precificados principalmente pelos juros de longo prazo, determinados pelo mercado. Enquanto a primeira tende a cair, os segundos continuam subindo.
É por isso que muitas pessoas se surpreendem ao perceber que a Selic diminui, mas o financiamento do imóvel continua caro ou que empresas seguem enfrentando custos elevados para investir. Embora a taxa básica influencie toda a economia, ela não é o principal determinante do custo do dinheiro quando os prazos são longos.






