Migrantes que nadaram ou saltaram cercas para entrar no exclave espanhol de Ceuta, no norte da África, começaram a fazer o trajeto de volta neste sábado. Muitos relataram que a fome, a exaustão e a hostilidade dos moradores locais destruírm as suas esperanças de começar uma nova vida na Europa.
Aqueles que retornavam à cidade de Fnideq, no Marrocos, disseram à agência Reuters que foram atraídos por vídeos virais nas redes sociais e mensagens de amigos, sugerindo que a fronteira, em geral sob forte esquema de segurança, estaria vulnerável e apta a travessias.
No entanto, ao chegarem a Ceuta, perceberam que não havia meios de prosseguir viagem até a Espanha continental.
"Viemos em busca de progresso, não para sermos enganados", afirmou Brahim, um padeiro da cidade marroquinta de Fez que abandonou o emprego e cruzou a fronteira após ver vídeos de milhares de pessoas fazendo o mesmo. "Achei que construiria um futuro melhor lá. Mas fui surpreendido em Ceuta."
Brahim relatou ter sobrevivido por três dias apenas à base de água, sem condições financeiras de arcar com os preços inflacionados dos alimentos no lado espanhol. "Como é possível venderem um sanduíche de atum por 100 dirhams, cerca de R$ 51?".










