Nepobaby, abreviação de "nepotism baby" (bebê do nepotismo), entrou na moda quando passou a designar atores, cantores e celebridades que iniciaram a carreira impulsionados pelo sobrenome da família. O termo nasceu com uma carga claramente pejorativa: a ideia de que alguns chegam mais longe porque largam muitos metros à frente dos demais.
O conceito logo escapou do entretenimento e encontrou na política latino-americana um terreno surpreendentemente fértil. Isso porque carregar o nome de ancestrais pode ser útil ou muito pouco conveniente numa campanha.
Na política, sobrenomes raramente são neutros: podem abrir portas, render votos, despertar rejeições ou se transformar em um fardo difícil de carregar.
Um dos que fizeram barulho nesta semana foi Santiago Peña. Sempre me impressionou a ênfase que dá, toda vez em que fala da Guerra do Paraguai (perdida para Brasil, Argentina e Uruguai). É curioso porque já o vi fazendo essa introdução para um público humilde em seu país, mas também diante de empresários, milionários e em fóruns internacionais.
Peña é descendente de José Gaspar Rodríguez de Francia, o mais sanguinário dos ditadores paraguaios, morto em 1840. Sua trajetória inspirou o monumental "Eu, o Supremo", de Augusto Roa Bastos. Antes de uma entrevista, Peña havia pesquisado sobre mim no Google e acabamos passando quase 20 minutos falando de Francia e do romance. Foi uma das entrevistas mais delirantes que fiz com um chefe de Estado. Fui checar, e resulta que Pena é parente longínquo do ditador em questão.












