Imagens falsas de nudez criadas sem consentimento com o uso de inteligência artificial generativa, as chamadas deepnudes, têm se disseminado por sites e aplicativos sem controle efetivo, apontam especialistas. As ferramentas permitem a leigos em tecnologia gerar e distribuir as montagens.

Um estudo sobre essas ferramentas publicado neste mês pelo Instituto de Diálogos Estratégicos (ISD em inglês, um centro de pesquisa e debates que examina as tendências da desinformação global) identificou 181 sites que receberam em média 40,1 milhões de visitantes únicos mensais entre dezembro de 2025 e março de 2026.

Neste mês, o governo brasileiro identificou 32 endereços relacionados à prática e a lista foi enviada à PF (Polícia Federal).

Antes de ações recentes de remoção, segundo o levantamento do ISD, essas ferramentas disponibilizadas nas lojas Google Play e Apple App Store foram baixadas mais de 705 milhões de vezes em todo o mundo, gerando uma receita estimada de US$ 117 milhões, o equivalente a R$ 593 milhões em valores convertidos.

Em São Paulo, o uso de IA têm aparecido de forma recorrente nas investigações conduzidas pelo Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), da Polícia Civil. A prática é associada a outros crimes que chegam a vítimas e familiares.