Cartas: Érico Veríssimo - Jorge Amado”, pela Companhia das Letras, será lançado dia 4 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Jorge e Érico tem correspondências detalhadas — Foto: Fotos de Arquivo Em tempos tão azedos como o limão, em que a intolerância grassa na política e nos costumes, chega em boa hora, terça-feira agora, dia 4, às livrarias, o livro “Cartas: Érico Veríssimo - Jorge Amado”, pela Companhia das Letras. Organizado por Paloma Jorge Amado, filha do autor de “Gabriela, cravo e canela”, e Bete Capinan, e com orelha de Fernanda Veríssimo, neta do escritor de “O tempo e o vento”, o texto reúne a correspondência trocada por dois dos maiores escritores brasileiros do século XX ao longo, acredite, de mais de 40 anos. Essa troca de cartas mostra que a tolerância e o afeto são possíveis entre pessoas que pensam, eventualmente, de forma diferente. Afinal, a correspondência ocorreu quando Amado (1912-2001) era um ferrenho comunista (chegou a ser eleito, em 1945, deputado pelo PCB), enquanto Érico (1905-1975) se dizia um socialista democrático. Um parêntese: Veríssimo chegou a ser vítima da intolerância stalinista dos anos 1950, a ponto de a imprensa comunista da época insinuar que estava a soldo dos Estados Unidos. Sobre opção política, o nosso saudoso Luís Fernando Veríssimo, filho de Érico e que morreu em 2025, relata, num texto de 2001 — que, aliás, consta do livro “Cartas” —, uma cena “dolorosa e cômica” que se passara no banheiro de um quarto de hotel no Rio. “Meu pai, em uma banheira de água quente, tentando aliviar uma cólica renal e, ao mesmo tempo, tentando convencer o Jorge, sentado num banquinho ao lado, de que, com toda a sua simpatia pelo socialismo, não podia aceitar o dogmatismo comunista e o totalitarismo, e o amigo tentando convencê-lo da justificativa histórica do stalinismo”. E conclui: “Mas o fato é que os dois continuaram se gostando e se admirando e acabaram se aproximando politicamente também, engajados no repúdio a qualquer sistema desumano”. Melhor assim.