Governador busca a reeleição com o apoio de 12 partidos e afastado de figuras que participaram da campanha e da transição de 2022, como Eduardo Bolsonaro 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O governador Tarcísio de Freitas durante entregas de obras de resiliência hídrica e saneamento em cidades atendidas pela Sabesp — Foto: Pablo Jacob/Governo de Estado de São Paulo Se em 2022 o então candidato ao governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) foi votar usando uma camisa amarela com uma foto sua ao lado de Jair Bolsonaro, o mesmo Tarcísio que buscará a reeleição quatro anos depois se mostra cada vez mais independente do chamado bolsonarismo raiz. Neste sábado (1), durante convenção do Republicanos, no Ginásio do Ibirapuera, na Zona Sul, o figurino do atual governador será mais voltado ao centro. Segundo aliados de Tarcísio, seu discurso será com base em suas realizações, com destaque para a privatização da Sabesp e a entrega de obras que estavam prometidas há anos, como o Rodoanel e a ampliação do Metrô. A exemplo do que vem fazendo em agendas públicas, Tarcísio falará de temas como investimentos para saúde, habitação e segurança pública. No ginásio, a estrutura da convenção foi pensada para que o governador fique em um palco central e fale olhando para todos que sentarem em volta, como em uma arena. Só subirá ao palco quem for discursar, como o próprio candidato, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O projeto é diferente do que propôs e realizou o PL na convenção de Flávio, na semana passada, no Pacaembu. Na ocasião, o senador chegou "pela galera" e subiu ao palco, montado no canto do auditório subterrâneo do estádio. Dezenas de pessoas o aguardavam, incluindo Tarcísio e o presidente da Argentina, Javier Milei, que fez o discurso mais duro do dia. Ao contrário também de quatro anos atrás, Tarcísio começará a disputa com uma ampla gama de partido. Serão 12 legendas: Podemos, PP, União Brasil, PL, PSD, Novo, PRD, PSDB, Cidadania, Avante e MDB, além do próprio Republicanos. Com a frente partidária, o candidato conseguiu reduzir o número de concorrentes, o que pode abrir caminho para uma eleição em primeiro turno. Segundo a última pesquisa Quaest, divulgada nesta semana, o governador possui 41% das intenções de voto, contra 26% de Fernando Haddad no primeiro turno. Na sequência, aparecem Vera Lúcia (PSTU, 3%), Carlos Machado (PCB, 1%) e Vivian Mendes (UP, 1%). O levantamento mostra também que 13% dos entrevistados estão indecisos. Os brancos e nulos representam 15%. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O discurso mais moderado para os padrões bolsonaristas e a ampla gama de legendas não são as únicas mudanças das versões 2022 e 2026 de Tarcísio de Freitas. As companhias também não são as mesmas. Enquanto há quatro anos figuras como Eduardo Bolsonaro eram vistas ao lado do agora governador, o mesmo não ocorre nesta fase. O filho mais novo do ex-presidente da República, que conseguiu emplacar um aliado seu na Secretaria da Segurança, caso do ex-secretário Guilherme Derrite, já não faz parte do grupo político do governador há tempos. Outros nomes, como Sonaira Fernandes (Políticas para Mulheres), Helena Reis (Esportes) e Roberto de Lucena (Turismo), todos bolsonaristas, também tiveram passagens pela gestão estadual, mas deixaram o governo. Ausência de Kassab Principal figura política da campanha anterior e do início do mandato, Gilberto Kassab não irá à convenção de Tarcísio no sábado. Pelas redes, o candidato a vice na chapa federal de Ronaldo Caiado (PSD) explicou o motivo. "Minha ausência na convenção estadual do Republicanos em São Paulo neste fim de semana não altera em nada o posicionamento, pessoal e partidário, em relação à nossa coligação estadual com vistas ao apoio à candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas. Sendo candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado, não quero causar constrangimentos por conta da presença no evento de outro candidato a presidente, apoiado por Tarcísio. Estamos firmes, trabalhando pela reeleição de Tarcísio", afirnou Kassab, em suas redes. A decisão de Kassab de não ir à convenção de Tarcísio ocorreu após o governador faltar ao evento estadual do PSD, que ocorreu na semana passada e precedeu a convenção nacional do partido, que selou a indicação de Caiado. O combinado era Tarcísio participar apenas do primeiro evento. Porém, como mostrou O GLOBO, Kassab publicou nas redes sociais um convite para a convenção partidária que associava Tarcísio ao presidenciável Ronaldo Caiado. A postura gera mal-estar, uma vez que Tarcísio apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o mesmo cargo. Apesar da ausência de ambos, o dirigente do PSD deve efetivamente apoiar Tarcísio nas redes sociais e em santinhos, com a sugestão de dobradinha "Caiado presidente, Tarcísio governador". A integração em comícios, por outro lado, é incerta. Flávio montou QG na capital paulista para estimular agendas públicas com o governador e isolar o rival.