Ex-primeira-dama diz que prioridade é cuidar de Bolsonaro; no PL, expectativa é que ela confirme candidatura ao Senado no domingo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Michelle Bolsonaro — Foto: Reprodução/PL A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que ainda não se encontrou pessoalmente com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desde a crise pública entre os dois e disse que os cuidados com o ex-presidente Jair Bolsonaro pesam na decisão sobre disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal. Michelle afirmou que pretende definir a candidatura em conjunto com o marido e reconheceu que há uma expectativa entre suas aliadas para que aceite concorrer. — Tudo que eu gosto, gosto de fazer bem feito, por isso vou definir com ele. Estou cuidando dele e a prioridade é ele. Mas há uma expectativa do nosso grupo de mulheres — afirmou. A decisão deverá ser anunciada até domingo, quando Michelle participará da convenção do PL no Distrito Federal. Mais cedo, após se reunir com a ex-primeira-dama em Brasília, o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, afirmou que ela lhe disse que conversará com Bolsonaro antes de definir seu futuro eleitoral. Apesar da cautela pública, a expectativa na cúpula do PL é que Michelle confirme a candidatura ao Senado. Nos bastidores, dirigentes já trabalham inclusive com a composição de sua chapa: a previsão é que Diego Torres Dourado, irmão da ex-primeira-dama, seja indicado como suplente. O anúncio, porém, deverá ser feito apenas no domingo, depois da conversa de Michelle com Bolsonaro. Questionada sobre a relação com Flávio após o pedido público de desculpas feito pelo senador, Michelle afirmou que os dois ainda não estiveram juntos pessoalmente. A expectativa é que o reencontro ocorra justamente na convenção do PL, caso o candidato à Presidência participe do evento. — Não me encontrei com Flávio. Domingo, com certeza, né? Se ele estiver. Eu quase não tenho saído de casa — disse. A ex-primeira-dama afirmou que reduziu drasticamente os compromissos externos para acompanhar Bolsonaro e que tem evitado inclusive levar discussões políticas para dentro de casa. Segundo Michelle, a intenção é preservar uma rotina mais tranquila para o marido, que enfrenta episódios de soluço. — Um pouco, né? — respondeu, ao ser questionada se ainda conversa sobre política com Bolsonaro. — Até porque eu tenho que manter um lar tranquilo para ele. O soluço é um resultado também dessa tensão. Então eu tento proporcionar um lar mais tranquilo para a gente não ter que conversar sobre situações. Mas ele está bem, graças a Deus. O soluço deu uma trégua agora. E a gente está vencendo um dia de cada vez. Mesmo afastada de uma rotina intensa de compromissos, Michelle disse que continua ajudando candidatos aliados. Nesta sexta-feira, afirmou ter saído de casa para gravar vídeos destinados a convenções partidárias. — Vim aqui fazer algumas gravações. Estou ajudando alguns candidatos. Pelo carinho, pelo amor. Pelo compromisso de saber que nós temos homens e mulheres de bem que estão trabalhando pela nação. Então hoje eu tirei esse tempinho para poder mandar alguns vídeos das convenções — afirmou. A rotina de cuidados com Bolsonaro deverá influenciar também o formato de uma eventual campanha ao Senado. Aliados da ex-primeira-dama já trabalham com a possibilidade de concentrar sua atuação nas redes sociais e organizar agendas presenciais curtas e selecionadas, sobretudo em Brasília, para reduzir o período em que ficará fora de casa. A definição de Michelle é aguardada há meses pelo PL e condicionou a montagem da chapa no Distrito Federal. Caso confirme a candidatura, ela disputará uma das duas vagas ao Senado, enquanto a deputada Bia Kicis (PL-DF) concorrerá à outra cadeira. A legenda deverá apoiar a governadora Celina Leão (PP) na disputa pela reeleição. A eventual candidatura também é acompanhada pela direção nacional como parte do processo de reaproximação entre Michelle e Flávio. Os dois entraram em conflito após divergirem sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. O senador pediu desculpas publicamente à ex-primeira-dama na semana passada e fez um apelo para que ela se engajasse em sua campanha à Presidência. Michelle também descartou nesta sexta-feira reassumir a presidência nacional do PL Mulher. Ao ser questionada sobre a possibilidade de retornar ao posto, foi taxativa: — Ciclo encerrado. Valdemar confirmou que a ex-primeira-dama não pretende voltar ao comando da ala feminina. Segundo ele, o partido não deverá nomear uma nova presidente nacional neste momento. Ana Munhoz ficará responsável por manter a interlocução com as presidentes estaduais do PL Mulher.