Os investidores seguem atentos às tensões no Oriente Médio, que não dão sinais de trégua, e seus riscos para a oferta de petróleo Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta sexta-feira (31) e, apesar de terem encerrado a semana no negativo, acumularam uma valorização superior a 20% no acumulado do mês, marcando o maior avanço desde março. No fechamento, o petróleo tipo Brent (a referência mundial) com vencimento em outubro teve alta de 1,21%, cotado a US$ 87,93 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI (a referência americana) com entrega prevista para setembro subiu 1,29%, a US$ 84,67 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex). No acumulado da semana, os contratos tiveram perdas de 4,09% e de 5,20%, respectivamente. No mês, houve uma valorização de 20,40% e 21,83%. Os investidores seguem atentos às tensões no Oriente Médio, que não dão sinais de trégua, e seus riscos para a oferta de petróleo. O Estreito de Ormuz segue praticamente fechado e uma nova onda de ataques dos houhtis, rebeldes do Iêmen apoiados pelo Irã, no Mar Vermelho, vem ampliando o escopo do conflito. Aaron Kildow, analista de petróleo na Sparta Commodities, avalia que a situação para o mercado de petróleo, no momento, é "muito mais perigosa" do que no começo do conflito, em março, por causa dos estoques de barris mais baixos. "Havia uma espécie de colchão que nos permitia suportar o fechamento dessas rotas marítimas por algum tempo", comentou, ao Valor. "Os estoques americanos estão muito baixos. Em Cushing, que é o ponto de entrega dos contratos futuros de WTI, os estoques chegaram aos menores níveis desde julho de 2014." Kildow não trabalha com um preço-alvo específico para os preços do petróleo neste ano, mas afirma que "não ficaria surpreso", caso os preços voltassem para a faixa de US$ 120 por barril. "Mesmo que a situação no Estreito de Ormuz fosse resolvida amanhã, o mercado já passou por uma desorganização tão grande e os estoques foram tão consumidos que levará meses, talvez anos, para reconstruí-los", ele avalia. "O mercado de energia dificilmente voltará rapidamente às condições anteriores. — Foto: stock.xchng