Uma parcela de jovens tem trocado a convivência social por um isolamento profundo, num tipo de comportamento extremo que alerta para a saúde mental. Batizado como síndrome de hikikomori, o fenômeno foi descrito pela primeira vez no Japão e daí vem o nome: em tradução livre, significa "isolado em casa".

A condição se refere a casos em que adolescentes e adultos jovens passam semanas, meses ou até anos reclusos em um único ambiente, evitando todo tipo de interação presencial e mantendo contato com o mundo quase exclusivamente por meio de telas.

O quadro é observado em diversos países e foi um dos temas abordados durante o congresso Encéphale 2026, que ocorreu em janeiro na França. "É uma situação grave. No Japão, chega a atingir de 1% a 2% dos adolescentes. No restante do mundo, ainda não há uma estimativa epidemiológica bem estabelecida", explica o psiquiatra Alfredo Maluf, do Einstein Hospital Israelita.

Do ponto de vista clínico, o hikikomori ainda não tem uma classificação própria em manuais diagnósticos, como a Classificação Internacional de Doenças (CID) e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), sendo normalmente enquadrado dentro de condições relacionadas à dependência de internet ou jogos.