A psicóloga Alana Anijar produziu um podcast sobre o assunto com mais de 50 milhões de plays e afirma que o amadurecimento precoce na infância pode ter relação com o comportamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Síndrome da pessoa necessária — Foto: Shutterstock RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 11:57 "Síndrome da Pessoa Necessária: Excesso de Responsabilidade e Suas Consequências" A "Síndrome da Pessoa Necessária" é um comportamento de assumir responsabilidades excessivas, muitas vezes originado de um amadurecimento precoce na infância, como explora a psicóloga Alana Anijar em um podcast popular. Mulheres tendem a ser mais afetadas devido a papéis sociais de cuidado. O comportamento leva a esgotamento e baixa autoestima, e o tratamento foca em desenvolver um altruísmo saudável e estabelecer limites pessoais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Deborah Fachini sempre acreditou em seu dom de resolver os problemas dos outros, e se tornou responsável pelos cuidados com a sogra após a morte do sogro. Fazia das compras de supermercado à companhia nas idas ao médico. A paulistana, de 42 anos, considerava-se fundamental no seio familiar e entrou em choque quando a viúva arranjou um novo companheiro. “Fiquei mal, porque já não era tão necessária para ela”, admite a empresária. “Foi difícil entender qual era o meu papel naquela dinâmica e o quanto fui sobrecarregada emocionalmente. Tendo a me responsabilizar pelas coisas mais do que posso, e até nas que nem me cabem. Quero ser útil, mas quando não consigo, sofro.” O relato de Deborah vai ao encontro do que a internet batizou de “Síndrome da Pessoa Necessária”, o padrão de assumir responsabilidades excessivas e condicionar o próprio valor ao proveito do outro. A psicóloga Alana Anijar produziu um podcast sobre o assunto com mais de 50 milhões de plays e afirma que o amadurecimento precoce na infância pode ter relação com o comportamento. “As mulheres sofrem do problema mais do que os homens, pelo histórico social que nos impõe funções de cuidado”, afirma. “A criança ‘muito boazinha’ só é muito boa para os pais, porque deixa de desenvolver a habilidade de também ser cuidada, de colocar suas vontades e seus limites. Ela acredita que só vai conseguir ser amada se for útil, servil e prestativa.” Alana também pontua traços psicológicos clássicos de quem se identifica com o quadro. “É sempre a primeira a responder mensagens e a resolver problemas, assume responsabilidades que não são suas, é a ‘madura’ da família, a ‘conselheira’ dos amigos, sustenta a estrutura do relacionamento sozinha, sente-se culpada ao pedir ajuda ou delegar e perde espontaneidade e prazer ao tentar ser aceitável”, completa Alana. “O preço de ser indispensável para os outros é ser descartável para si mesma.” Um episódio aparentemente trivial marcou a gaúcha Gabriele Chollet, de 24 anos. Numa viagem a trabalho, a estudante de Psicologia foi a uma loja comprar chocolates como lembrança para a família e amigas próximas e, ao distribuir os presentes, viu que esqueceu de trazer algo para a pessoa mais importante: ela mesma. “Lembrei de todo mundo, até da minha gata de estimação, e esqueci de mim. Foi quando comecei a prestar mais atenção nesse traço de personalidade: vivo para agradar as pessoas.” Profissional de Recursos Humanos, a paulista Isabella Dias, de 24 anos, só identificou o comportamento na terapia, iniciada em janeiro deste ano, ao relatar mais do que um cansaço físico. “Envolvia-me em problemas alheios por iniciativa própria”, comenta Isabella. “Quando acabava o pó de café no trabalho, em vez de pedir para o encarregado abastecer, tentava encontrar uma solução. E, se não conseguisse resolver, surtava. É um exemplo inofensivo, mas esse padrão se repetiu em situações mais sérias.” A psicóloga Leticia Silva explica que pacientes com esse traço de personalidade apresentam algo conhecido como “esquema de autossacrifício sob julgamento”, um padrão clínico em que o indivíduo anula voluntariamente as próprias necessidades para poupar os outros de sofrimento, agindo por culpa crônica ou medo de ser egoísta e abandonado. Os prejuízos incluem esgotamento, ansiedade e autoestima fragilizada. “Nas sessões, o trabalho é voltado para redirecionar a autoconfiança e fomentar um altruísmo saudável, sabendo dizer não, estabelecendo limites e incentivando o início de hobbies que sejam bons para nós mesmos”, conclui a especialista.