O Ministério das Relações Exteriores do Paraguai divulgou um comunicado nesta sexta-feira (31) no qual informou que o vice-presidente Pedro Alliana e o chanceler Rubén Ramírez Lezcano entregaram ao embaixador brasileiro em Assunção, José Marcondes, uma nota em "rejeição" a declarações do presidente Lula, na qual pede também a devoluão de troféus de guerra tomados pelo Brasil no século XIX. O encontro aconteceu após o governo paraguaio ter tomado conhecimento de que, em um evento no estado de São Paulo, o presidente Lula se referiu à guerra do Paraguai. Conforme o comunicado divulgado nesta sexta, o vice-presidente e o chanceler paraguaios que o Brasil e o Paraguai são países "irmãos" e, diante disso, apresentaram ao embaixador um caminho para "fechar definitivamente as feridas" da guerra. A nota também pede a "devolução do canhão 'Presidente López', do canhão 'Cristiano' e de outros troféus de guerra" que ficaram com o Brasil após a vitória no conflito, no século XIX. “O governo do Paraguai entregou [no encontro com o embaixador] uma nota na qual expressou seu desagrado e seu absoluto repúdio às recentes declarações do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva sobre episódios da Guerra da Tríplice Aliança”, afirma um trecho do comunicado divulgado pela chancelaria paraguaia. “O governo sustenta que as manifestações representam de maneira distorcida feitos históricos de singular relevância para o povo paraguaio e enfatiza que os acontecimentos que marcaram profundamente a história de ambas nações devem ser abordadas com responsabilidades, respeito recíproco e espírito de reconciliação”, diz um outro trecho. Embaixadores negam intenção de ofender Conforme relatos de integrantes da diplomacia brasileira, durante o encontro, o embaixador José Marcondes explicou o contexto no qual as declarações de Lula foram dadas e afirmou que “em nenhum momento houve intenção de ofender o Paraguai.” “Ele lembrou a histórica amizade do Brasil com o Paraguai, reforçada nos períodos em que o Presidente Lula governa o Brasil”, declarou um diplomata a par da reunião desta sexta. Esta reportagem está em atualização.