Empresas acreditam, por outro lado, que as paralisações serão menos graves do que as provocadas por um tremor de intensidade semelhante ocorrido há dez anos Equipes de resgate realizam uma operação de busca no shopping center Aeon Mall, danificado após um terremoto de magnitude 7,1 atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão, na cidade de Kashima, província de Kumamoto, Japão, em 30 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Kim Kyung-Hoon O terremoto de magnitude 7,1 que atingiu o sul do Japão nesta semana paralisou diversas fábricas de automóveis e semicondutores na região, mas empresas acreditam que as interrupções serão menos graves do que as provocadas por um tremor de intensidade semelhante ocorrido há dez anos. Diante da frequência de desastres naturais no Japão, fabricantes vêm fortalecendo há décadas a resiliência de suas cadeias de suprimentos. O terremoto mais recente, que deixou 34 mortos, servirá como teste para avaliar a eficácia dessas medidas. A Aisin, fornecedora de autopeças que fabrica portas, motores e outros componentes em uma unidade próxima ao epicentro do terremoto de terça-feira, é um exemplo disso, já que aparenta ter sofrido danos menores do que em 2016. Naquela ocasião, sua fábrica foi gravemente danificada, provocando escassez de um componente essencial para portas utilizado pela Toyota e obrigando a montadora a interromper a produção em fábricas de montagem em todo o país. O diretor financeiro da Aisin, Daisuke Kondo, disse a jornalistas nesta sexta-feira que as medidas de reforço estrutural adotadas desde 2016 ajudaram a limitar os danos, apesar de o tremor desta semana ter sido mais intenso. Segundo ele, a fábrica não sofreu danos estruturais relevantes nem avarias significativas em equipamentos, embora algumas tubulações de água tenham sido afetadas. Kondo afirmou que cerca de 200 pessoas, incluindo funcionários de clientes da empresa, trabalham na recuperação da unidade, mas não apresentou previsão para a retomada da produção. "Assim que confirmarmos que as condições de segurança e qualidade estão adequadas, retomaremos a produção conforme apropriado... Isso variará de acordo com cada produto", afirmou. A Toyota suspendeu a produção em três fábricas da região, uma responsável por modelos de luxo Lexus e outras duas dedicadas à fabricação de motores e componentes para veículos híbridos, até 5 de agosto. Uma quarta unidade de montagem, localizada na província de Aichi, no centro do Japão, a mais de 600 quilômetros da área atingida, também ficará parada na próxima semana. Um porta-voz da empresa citou razões de segurança e problemas no fornecimento de peças. A Nissan suspendeu parcialmente a produção em suas duas fábricas de veículos em Kyushu até 5 de agosto devido a atrasos na entrega de componentes. A Mitsubishi Motors informou que interromperá parte da produção em uma fábrica na província de Okayama, no oeste do país. Uma vista aérea mostra a destruição no shopping center Aeon Mall Kumamoto, onde ocorreu uma explosão causada por um vazamento de gás após um terremoto que atingiu Kashima, província de Kumamoto, Japão , na terça-feira, 29 de julho de 2026 — Foto: Asia Air Survey & Aero Toyota/Divulgação via REUTERS Ainda é cedo para avaliar os impactos O estrategista do Mizuho Bank Masayuki Nakajima afirmou que os fabricantes japoneses aprenderam muito tanto com os frequentes terremotos quanto com a pandemia de Covid-19. "Pode-se dizer que a resiliência da cadeia de suprimentos foi fortalecida graças à diversificação dos fornecedores", afirmou. Mesmo assim, segundo Nakajima, o terremoto de terça-feira pode ter impacto significativo sobre o ecossistema industrial japonês, especialmente devido à elevada concentração de fabricantes de semicondutores e empresas do setor na região conhecida como o "Vale do Silício do Japão". "Os semicondutores são utilizados em uma enorme variedade de produtos, portanto os efeitos em cadeia podem ser muito grandes", disse. A situação pode ser agravada pela escassez global de chips de memória, impulsionada pelos investimentos contínuos em centros de dados voltados à inteligência artificial. A TSMC, maior fabricante mundial de chips sob encomenda, possui um grande complexo industrial em Kumamoto. Poucas horas após o terremoto, a empresa taiwanesa informou que havia iniciado a retomada das operações, mas depois alertou que levaria tempo para concluir todas as inspeções e calibrações necessárias devido à intensidade do tremor. A empresa não respondeu a um pedido da Reuters por atualização sobre a situação nesta sexta-feira. A fabricante de chips Renesas informou que só conseguirá retomar gradualmente, a partir de 5 de agosto, as operações em uma de suas fábricas em Kumamoto, onde houve queda de placas do teto, rachaduras em paredes e alguns vazamentos de água. A Sony, que também possui uma fábrica de semicondutores em Kumamoto, afirmou que começará a retomar as operações na unidade a partir de terça-feira e espera voltar ao nível de atividade anterior ao terremoto até meados do mês. A Tokyo Electron, importante fabricante de equipamentos para produção de semicondutores, informou que pretende reiniciar a produção em sua fábrica na região na próxima semana. Embora o número de mortos seja muito inferior às mais de 260 vítimas fatais registradas no terremoto de 2016, quase metade das mortes desta vez ocorreu em instalações comerciais. Nove pessoas morreram em uma fábrica da Nippon Paper Industries próxima ao epicentro, que sofreu graves danos estruturais, incluindo o desabamento de sua chaminé. Outras sete morreram em um shopping center da Aeon, o maior da província, onde uma possível explosão de gás ocorreu mais de uma hora após o terremoto. A polícia e outras autoridades investigam a causa exata da explosão. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão informou nesta sexta-feira que orientou as empresas fornecedoras de gás nas áreas afetadas a inspecionar imediatamente seus equipamentos e verificar sua integridade, mantendo-se também atentas a possíveis tremores secundários.