Shopping Aeon, em Kumamoto, Japão, ruiu após terremoto, deixando mortos, desaparecidos e feridos — Foto: Kyodo via AP O forte terremoto que atingiu a província de Kumamoto, no sudoeste do Japão, na terça-feira, interrompeu a produção de semicondutores e automóveis no polo industrial, afetando as operações da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC), da Toyota e de outras montadoras. Kumamoto abriga o principal centro de produção da TSMC no Japão. O terremoto de magnitude 7,1 registrou intensidade sísmica de nível 5 (em uma escala de 7) em Kikuyo, onde está localizada a fábrica JASM da fabricante de chips. Os funcionários evacuaram o local imediatamente após o terremoto, informou um porta-voz da empresa ao “Nikkei Asia” na terça-feira. Na quarta-feira, um porta-voz da TSMC afirmou que as inspeções pós-terremoto confirmaram a segurança da estrutura. "O abastecimento de água, a energia elétrica e os sistemas de segurança do trabalho estão funcionando normalmente. Agora estamos inspecionando os equipamentos", disse o porta-voz. "Devido à força sísmica relativamente alta deste terremoto, a TSMC prevê que será necessário um certo tempo para inspeções e calibrações relacionadas." O canteiro de obras da segunda fábrica da JASM não foi afetado e o trabalho foi retomado na quarta-feira, após inspeções adicionais, acrescentou o porta-voz. A Toyota anunciou na quarta-feira que interromperá as operações em três fábricas na província de Fukuoka, da noite de quarta-feira até sexta-feira. A montadora afirmou que reavaliará a segurança, a logística e as condições dos fornecedores antes de decidir, na sexta-feira, se retomará as operações a partir de 3 de agosto. A fábrica da Toyota em Miyata, que produz veículos Lexus, e as fábricas de Kokura e Kanda retomaram a produção na manhã de quarta-feira, após a paralisação no dia anterior. O Grupo Sony e a Renesas Electronics suspenderam a produção de semicondutores na região, sem data de reinício definida. A Renesas suspendeu as operações em duas fábricas em Kumamoto após a detecção de rachaduras, vazamentos de água e queda de painéis do teto. A empresa está inspecionando equipamentos e itens ainda em produção. Não houve relatos de feridos entre os funcionários. O terremoto também interrompeu o transporte e os serviços públicos em toda a região. Treze trechos de duas rodovias expressas estavam interditados às 7h da manhã de quarta-feira. Os serviços ferroviários também foram interrompidos, com todos os trens-bala Kyushu Shinkansen suspensos entre as estações Hakata e Kagoshima-Chuo, enquanto quatro operadoras suspenderam os serviços em seis linhas ferroviárias locais. Um total de 14 voos com destino ou origem no Aeroporto Internacional de Kumamoto (Aso Kumamoto) foram cancelados na quarta-feira. Às 7h da manhã, cerca de 36.900 residências estavam sem energia elétrica, o abastecimento de água foi interrompido para cerca de 84 mil residências e o fornecimento de gás foi suspenso para aproximadamente 9.500 residências, segundo o governo. Interrupções nas telecomunicações também foram relatadas em partes da província de Kumamoto. O terremoto também levou ao fechamento temporário de algumas lojas de conveniência, farmácias e restaurantes em Kumamoto. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou na quarta-feira que 13 pessoas tiveram suas mortes confirmadas. Falando a repórteres no gabinete de governo, Takaichi disse que, às 8h30, as autoridades também haviam confirmado danos generalizados, incluindo vítimas, prédios desabados, incêndios e estradas danificadas. O terremoto ocorreu por volta das 16h27 de terça-feira, a uma profundidade de cerca de 16 quilômetros, informou a Agência Meteorológica do Japão. Registrou intensidade máxima de 7 na escala sísmica japonesa na cidade de Uki e na cidade de Hikawa. Tremores dessa intensidade podem inclinar ou derrubar prédios com baixa resistência sísmica. O secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, disse em uma entrevista coletiva na quarta-feira que, às 8h30, as autoridades haviam relatado sete pessoas gravemente feridas e outras 29 com ferimentos leves, além das mortes confirmadas. Oito incêndios começaram após o terremoto, mas todos já foram extintos. Em uma fábrica da Nippon Paper Industries na cidade de Yatsushiro, parte de uma chaminé desabou, soterrando 11 pessoas. Cinco mortes foram confirmadas posteriormente e duas pessoas resgatadas ficaram feridas, enquanto o paradeiro e o estado de saúde das quatro restantes permanecem desconhecidos. Após o terremoto, uma explosão fatal ocorreu no shopping Aeon Mall Kumamoto, na cidade de Kashima, causando o desabamento de parte do centro comercial. As autoridades informaram que ainda estão investigando a causa, embora tenham recebido relatos de um odor de gás dentro do prédio durante as operações de busca na terça-feira. A Aeon informou que três funcionários morreram e um sobrevivente sofreu um ataque cardíaco. Outros três funcionários continuam desaparecidos. "Levamos com a maior seriedade o fato de que esta tragédia resultou na perda de vidas preciosas. Ofereço minhas sinceras condolências àqueles que perderam suas vidas e estendo minhas mais profundas desculpas às suas famílias e entes queridos", disse o executivo-chefe (CEO) da Aeon, Akio Yoshida, em uma entrevista coletiva em Kumamoto na quarta-feira. Embora a empresa tenha afirmado que aguardaria um comunicado oficial do Corpo de Bombeiros sobre a causa da explosão, observou que as avaliações baseadas nas condições do local sugeriam uma alta probabilidade de que a explosão tenha sido causada por um vazamento de gás liquefeito de petróleo (GLP). "Uma explosão como essa foi algo que jamais havíamos previsto. Em todos os anos em que operamos os shoppings Aeon, nunca vivenciamos uma explosão de gás envolvendo GLP fornecido", disse Yoshida. A empresa também criou uma força-tarefa em sua sede e está direcionando todos os recursos disponíveis para Kumamoto. A polícia, os bombeiros e as tropas das Forças de Autodefesa estão realizando operações de busca e resgate tanto no shopping quanto na fábrica de papel, disse Kihara. As Forças de Autodefesa estão realizando operações de socorro com cerca de 4.600 pessoas, incluindo esforços de resgate e assistência emergencial no abastecimento de água. Kihara pediu ao público que permanecesse alerta durante a próxima semana devido à possibilidade de novos terremotos com magnitude em torno de 7 na escala de intensidade sísmica do Japão. 29/07/2026 20:20:55