0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Agronegócio brasileiro depende de fertilizantes importados — Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo A nova escalada das tensões no Oriente Médio é uma má notícia para o agronegócio brasileiro. No segundo semestre, costumam se intensificar as compras de fertilizantes, os chamados nitrogenados, para recompor os estoques destinados à próxima safra. Nesse contexto de conflito, de grande volatilidade na cotação do petróleo e seus derivados, os preços dos fertilizantes nos portos brasileiros vêm subindo há cinco semanas consecutivas. A ureia — amplamente empregada em culturas como milho, cana-de-açúcar, café, trigo e pastagens — registrou alta de 18,5% entre 25 de junho e esta sexta-feira, dia 30 de julho. Nesse período, a tonelada passou de US$ 405 para US$ 480. — Os compradores brasileiros passam a enfrentar cotações mais elevadas em um período-chave de aquisição dos insumos. Isso é particularmente preocupante porque o cenário já era bastante desafiador — explica Tomás Pernías, analista de inteligência de mercado da StoneX. A volatilidade nos preços do petróleo e de seus derivados, soma-se o aumento da demanda indiana por fertilizantes nos últimos dias. A Índia abriu uma nova licitação de compra e, segundo Pernías, esse tipo de movimento costuma sustentar os preços, já que reduz a oferta disponível no mercado internacional. O analista ressalta que, antes do recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, o mercado global de fertilizantes viveu um breve período de alívio, com a expectativa de retomada gradual da navegação pelo Estreito de Ormuz e do fim das restrições aos portos iranianos, o que permitiria o escoamento do enxofre produzido na região. — Esse cenário poderia trazer alguma acomodação ao mercado global de fosfatados. Porém, a nova escalada das tensões devolveu o pessimismo aos compradores e investidores, reforçando a percepção de uma oferta mais apertada no mercado internacional e de preços sustentados — afirma. Caso haja a retomada das negociações para um cessar-fogo no Golfo Pérsico, refletindo em uma nova queda do preço do petróleo, isso poderia reduzir os custos do transporte de fertilizantes, tanto no frete marítimo quanto no rodoviário. No entanto, esse efeito tende a demorar a chegar ao mercado, diz Pernías. — Como os fatores que sustentam a alta dos preços continuam presentes, há pouca margem para uma acomodação significativa neste momento. Quando Estados Unidos e Irã chegaram a aventar a retomada das negociações, houve uma queda dos preços da ureia nas bolsas internacionais. No mercado físico brasileiro, porém, as cotações seguem firmes — conclui o analista da Stonex.