Companhia registrou um aumento de 3,3% no lucro antes de juros e impostos, excluindo operações nucleares, do primeiro semestre, para 5,3 bilhões de euros A francesa Engie registrou um aumento de 3,3% no lucro antes de juros e impostos (Ebit), excluindo operações nucleares, do primeiro semestre, alcançando 5,3 bilhões de euros. O resultado superou as estimativas médias do mercado, que previam estabilidade em relação aos 5,1 bilhões de euros do ano anterior. Sustentada por esse desempenho e pelo sucesso de um programa de eficiência interna, que contribuiu com 304 milhões de euros, a companhia elevou seu suas projeções anuais. A estimativa para o Ebit passou de um intervalo de 8,7 bilhões a 9,7 bilhões de euros para uma faixa de 9,2 bilhões a 10,2 bilhões de euros, enquanto o lucro líquido recorrente esperado para 2026 subiu para algo entre 4,9 bilhões e 5,5 bilhões de euros. O analista Joseph Pepper, da RBC, classificou os números como fortes em todas as frentes, ressaltando o otimismo da revisão mesmo em um período de impactos sazonais negativos nas vendas. O balanço foi ancorado, em grande parte, pelas operações de trading e gestão de energia, cujo lucro avançou 0,4%, para 1,55 bilhão de euros. A forte atuação na comercialização de gás natural compensou o menor volume de entregas provocado por temperaturas mais quentes. Essa dinâmica foi favorecida pela volatilidade dos preços do gás na Europa, que saltaram 28% no segundo trimestre ante o mesmo período de 2025, impulsionados pela guerra no Irã e pelas restrições de fluxo no Estreito de Ormuz. O diretor financeiro, Pierre-Francois Riolacci, destacou o desempenho acima do esperado, mas ponderou que os ganhos foram marginais se comparados à crise do gás russo de 2022. Na contramão, a unidade de baterias e produção de energia viu seu Ebit recuar 8,5%, para 1,8 bilhão de euros, com as receitas de geração a gás despencando 30% em função do clima mais ameno. O segmento de infraestrutura de energia foi outro grande destaque, com um salto de 13% no Ebit, que atingiu € 2,2 bilhões. O avanço foi impulsionado pela quase duplicação das receitas de redes elétricas após a Engie finalizar a aquisição da operadora britânica UK Power Networks em maio. Olhando para oportunidades de expansão, a diretor-presidente da Engie, Catherine MacGregor, afirmou que a empresa está bem posicionada para participar de leilões de mecanismos de remuneração de capacidade na Alemanha, Holanda e Espanha. O foco são usinas a gás que fornecem energia de reserva para cobrir picos de demanda ou interrupções em fontes renováveis. Na Alemanha, onde leilões são esperados para setembro e dezembro, a Engie mira o certame do fim do ano, já com terrenos assegurados e negociações avançadas para garantir turbinas a gás, equipamentos considerados escassos atualmente. Em outras frentes estratégicas, MacGregor revelou que a companhia possui acordos em estágio avançado para fornecer 4 gigawatts (GW) de capacidade para data centers, projetos que devem se materializar no próximo ano. A executiva também demonstrou otimismo com a demanda global por energia eólica “off-shore”, minimizando os ruídos nos Estados Unidos. No mercado americano, o presidente do Estados Unidos, Donald Trump, paralisou o desenvolvimento do setor para favorecer projetos fósseis, o que levou a Engie a pausar três de seus projetos eólicos, dois deles já sob acordos negociados. Por fim, a companhia informou que as tratativas com o governo belga para a venda de sua frota nuclear remanescente seguem em andamento e podem resultar em um protocolo de acordo em outubro. — Foto: Reprodução/Engie