Na atmosfera terrestre, uma rede complexa de corredores invisíveis a olho nu transporta diariamente calor e umidade das regiões tropicais para os confins da Antártida, alterando drasticamente o clima do continente gelado. Conhecidos como "rios atmosféricos", esses sistemas estão sendo apontados por pesquisadores brasileiros como um dos principais motores do degelo no setor oeste do continente e na Península Antártica.

A aceleração desse processo pode causar uma significativa elevação do nível global dos oceanos e impactar diretamente o Brasil. O país está entre os mais vulneráveis a esse cenário: das 136 cidades portuárias no mundo com população acima de 1 milhão de pessoas expostas à subida do mar, dez estão em território brasileiro.

O alerta foi feito por Heitor Evangelista da Silva, professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e coordenador de um projeto de monitoramento de rios atmosféricos da Antártida. O pesquisador apresentou os dados em palestra durante a 78ª Reunião Anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência).

Com o tema "Ciência para todos: soberania, desenvolvimento e inclusão", o evento acontece até sábado (1º) no campus Gragoatá da Universidade Federal Fluminense, em Niterói.