O setor de tecnologia finalmente está arcando com as consequências da era de juros baixos e da busca incessante por avaliações de mercado elevadas. A realização de múltiplos processos de reestruturação de dívidas entre empresas que estão em crescimento evidencia que a ausência de governança e a queima desenfreada de caixa não eram problemas temporários, mas sim hábitos arraigados.

O ecossistema de inovação está passando por um expurgo indispensável, onde a sobrevivência não se baseia na narrativa de crescimento exponencial, mas na capacidade básica de gerar caixa operacional.

Com um passivo total que ultrapassa a casa dos bilhões em cortes como o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), os fundos de venture capital agora têm zero espaço para manobras. Os planos propostos preveem um corte médio superior a 60% sobre os créditos não garantidos, o que representaria uma perda significativa para fornecedores e investidores de classe de risco.

“A reorganização atual é a única saída para estancar a sangria de companhias que aceleraram vendas sem margem de contribuição positiva“, diz Marcos Roberto Guimarães, sócio-diretor da consultoria de reestruturação corporativa Guimarães & Associados, localizada na capital paulista.