Esqueleto do Austronaga minuta, descoberto na província chinesa de Yunnan, mantém órgãos internos praticamente intactos e oferece uma das evidências mais antigas já registradas sobre o sistema digestivo de um réptil 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Representação gráfica do fóssil do dinossauro encontrado na Patagônia — Foto: Divulgação: NIH.gov Um fóssil de aproximadamente 245 milhões de anos descoberto na província de Yunnan, no sul da China, preservou não apenas o esqueleto, mas também o estômago, o fígado e o intestino de um réptil marinho pré-histórico. A descoberta, descrita nesta quinta-feira na revista Science Advances, fornece uma visão inédita da anatomia interna desses animais que viveram no período Triássico, antes da Era dos Dinossauros. O espécime pertence à espécie Austronaga minuta, um réptil marinho de cerca de 60 centímetros de comprimento. Segundo os pesquisadores, o animal possuía cabeça relativamente pequena, focinho estreito repleto de dentes pontiagudos adaptados para capturar peixes, pescoço e tronco alongados, além de uma longa cauda que servia como principal mecanismo de propulsão na água. As nadadeiras dianteiras eram maiores que as traseiras e auxiliavam nas mudanças de direção. O aspecto mais incomum do fóssil, porém, é a preservação dos tecidos moles. Além de manter os órgãos internos praticamente na posição original, o exemplar apresenta o trato digestivo completo, algo considerado extremamente raro no registro fóssil. As análises mostraram que o Austronaga minuta possuía um estômago formado por uma única câmara, diferente da estrutura de duas câmaras observada atualmente em aves, crocodilos e em parte dos dinossauros. Logo atrás estava o fígado, preservado com resíduos ricos em ferro que ainda mantêm coloração avermelhada. Segundo os pesquisadores, a presença desses compostos indica vestígios de hemoglobina — proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue —, um nível de preservação considerado excepcional para um organismo que viveu há 245 milhões de anos. Na parte posterior do corpo, os cientistas identificaram um intestino longo e relativamente simples, formado por um tubo quase reto. Para os autores, essa anatomia é compatível com a de um animal carnívoro, já que dietas baseadas em carne exigem um sistema digestivo menos complexo do que o encontrado em espécies herbívoras. O intestino também preservou parte da última refeição do animal. Escamas de peixe foram encontradas em seu interior, reforçando a hipótese de que o Austronaga minuta era um predador especializado na captura de pequenos peixes. Os pesquisadores destacam que o réptil pertence a um grupo próximo dos arcossauros, linhagem que deu origem, milhões de anos depois, a crocodilos, dinossauros e pterossauros. A comparação entre o sistema digestivo do Austronaga minuta e o de seus descendentes indica que intestinos mais longos e complexos surgiram posteriormente na evolução desse grupo. Os cientistas afirmam ainda que não é possível determinar se o indivíduo encontrado já havia atingido a idade adulta. Mesmo assim, acreditam que a espécie era de pequeno porte e representa uma oportunidade rara para compreender como funcionavam os órgãos internos dos primeiros grandes vertebrados que ocuparam os oceanos após a maior extinção em massa da história da Terra.
Fóssil de 245 milhões de anos preserva estômago, fígado e intestino de réptil marinho na China; entenda
Esqueleto do Austronaga minuta, descoberto na província chinesa de Yunnan, mantém órgãos internos praticamente intactos e oferece uma das evidências mais antigas já registradas sobre o sistema digestivo de um réptil







