Com o aval do presidente americano Donald Trump, o Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) ampliou o alcance da política anti-imigratória, cuja brutalidade contradiz a essência de uma nação erguida por estrangeiros e ancorada na democracia.
Nas últimas semanas, imigrantes que circulavam por cerca de 15 aeroportos americanos foram detidos por agentes à paisana do ICE. Os alvos tinham vistos vencidos no passaporte, mas aguardavam a resposta oficial a pedidos de extensão do prazo ou de green cards, muitos deles inclusive munidos de autorização legal de trabalho no país.
As operações sugerem cooperação entre a agência e a Administração de Segurança de Transportes (TSA). Esta não é a primeira articulação de entes governamentais em prol da meta de Trump de prender 2.000 imigrantes por dia e deportar um milhão ao ano.
O compartilhamento de 460 mil dados sobre menores desacompanhados e seus responsáveis pelo Escritório de Reassentamento de Crianças (ORR) permitiu ao ICE prender 12 mil estrangeiros desde janeiro do ano passado. Criado há 46 anos, o ORR tem por missão acolher e realocar refugiados de conflitos armados e perseguições.
A agressividade da política de Trump obteve respaldo da Suprema Corte em junho, quando o tribunal permitiu bloquear a entrada de estrangeiros em busca de refúgio pela fronteira com o México e retirar o status humanitário de cidadãos do Haiti e da Síria, que os protegia da deportação.














