Obra de megaponte já conecta Brasil e Paraguai; veja como é e quando abreA estrutura de 1.294 m foi estendida sobre o Rio Paraguai, mas acesso do lado brasileiro só será concluído em 2027. Crédito: Willian Cardozo, División de Prensa, ITAIPU Binacional, Margen DerechaO governo do Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção após declarações de Lula sobre a Guerra da Tríplice Aliança. Lula mencionou a invasão paraguaia ao Brasil em 1864 durante um discurso. O chanceler paraguaio Rubén Ramírez Lezcano e o vice-presidente Pedro Alliana entregarão uma nota oficial ao embaixador brasileiro. A convocação reflete insatisfação diplomática. A guerra, que envolveu Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, resultou em grandes perdas para o Paraguai.O governo do Paraguai convocou nesta quinta-feira, 30, o embaixador brasileiro em Assunção para uma reunião, devido a uma fala do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre a guerra da Tríplice Aliança, ocorrida entre 1864 e 1870. O tema é considerado sensível no Paraguai, que registrou muitos danos por conta do conflito no século XIX. PUBLICIDADENo dia 24 de julho, Lula fez uma referência à guerra ao discursar em um evento em Jacareí, no interior de São Paulo. “A gente gosta de paz, mas a gente não pode se esquecer que um belo dia o Paraguai resolveu invadir o Brasil. Invadiu Corumbá, ao mesmo tempo invadiu o Uruguai, invadiu a Argentina. E aquela guerra que parecia que era nada durou cinco anos”, afirmou.Em uma entrevista coletiva nesta quinta, o ministro das Relações Exteriores paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, informou sobre o ato da convocação. O embaixador brasileiro José Antonio Marcondes deve se reunir com Lezcano na sexta-feira, 31. Segundo o ministério paraguaio, Lezcano e o vice-presidente do país, Pedro Alliana, entregarão uma nota oficial em nome do Paraguai.PublicidadeLula fez referência à guerra contra o Paraguai durante discurso em Jacareí no dia 24 de julho Foto: Wilton Junior/ EstadãoAinda de acordo com o ministério paraguaio, Lezcano conversou por telefone com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o presidente paraguaio Santiago Peña falou com Lula sobre o tema, também por telefone.“A dignidade do Paraguai não está em negociação. Quero que saibam que, sob a liderança do presidente Santiago Peña, desde o início abordamos o assunto no mais alto nível. A diplomacia tem seus prazos e suas formas e, acreditem, a moderação do presidente da República tem sido fundamental na gestão desses prazos e formas”, afirmou Lezcano.Na diplomacia, convocar o embaixador de outro país é considerado um sinal de grande insatisfação. O Brasil tomou atitude parecida na última semana, quando convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires após ofensas do presidente da Argentina, Javier Milei, a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.PublicidadeLeia tambémApós ‘beijo das aduelas’, obra de megaponte já conecta Brasil e Paraguai; veja como é e quando abrePor que brasileiros estão escolhendo o Paraguai para trabalhar e empreenderGovernistas em xeque, violência e Trump: o que explica a nova guinada à direita da América do SulGuerra da Tríplice Aliança A guerra do Paraguai, também chamada de guerra da Tríplice Aliança por conta da união de Brasil, Argentina e Uruguai contra o país, foi o conflito armado com mais vítimas fatais da história da América do Sul.Na ocasião, o Uruguai estava dividido em dois partidos, um apoiado pelo Brasil e o outro pelo Paraguai. O gatilho para o início da guerra foi quando o Brasil interveio no Uruguai, o que levou a uma reação dos paraguaios.Governado pelo ditador Solano López, o Paraguai sequestrou o navio brasileiro Marquês de Olinda e posteriormente invadiu cidades brasileiras, como Corumbá. Os dois países também tinham territórios em disputa e procuravam garantir o controle da navegação nos rios da região.PublicidadeA Tríplice Aliança venceu o conflito, o que teve consequências desastrosas para o Paraguai. A infraestrutura do país foi destruída e grande parte da população morreu. López se recusou a se entregar mesmo após a derrota militar e tentou continuar a guerra, inclusive mandando crianças para o campo de batalha, até ser morto pelo soldado brasileiro que ficou conhecido como Chico Diabo em 1870.