Ministro do STF André Mendonça levantou nesta quinta-feira o sigilo das investigações contra o ex-líder do governo Lula no Senado 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O senador Jaques Wagner (PT-BA) em março de 2026 — Foto: Cristiano Mariz/O Globo Mensagens e documentos obtidos pela Polícia Federal no bojo das investigações do caso Banco Master apontam que as negociações em torno da compra de um apartamento de luxo para o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, prosseguiram mesmo após a deflagração da Operação Compliance Zero, que resultou na primeira prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, em novembro de 2025. O imóvel, localizado no empreendimento Poème Horto, no bairro nobre do Horto Florestal, é avaliado no mercado em R$ 2,45 milhões. As informações foram tornadas públicas nesta quinta-feira (30) por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, que levantou o sigilo do caso. As tratativas se deram entre o senador, o então braço-direito de Vorcaro no Master, Augusto Lima, e o advogado Daniel Monteiro, tido pelos investigadores como operador financeiro das vantagens pagas pelo então banqueiro a autoridades. O apartamento foi adquirido pelo sócio do Master através de uma cadeia de fundos de investimentos ligados ao banco, à gestora Reag, parceira de negócios de Vorcaro controlada na época por João Carlos Mansur, a Daniel Monteiro e seu irmão, David, e a outro investigado chamado Valério Marega Júnior, gestor da WNT. De acordo com o relatório da PF, Valério e Daniel Monteiro “são comprovadamente operadores financeiros dos gestores do Master, especializados na criação de estruturas financeiras, usualmente via fundos de investimentos, para ocultar transações ilícitas”. Além de manter uma negociação já em si considerada suspeita, ambos tomaram providências para manter o sigilo da operação e impedir o acesso de investigadores a informações sobre a negociação, segundo o relatório da PF. “Documentos extraídos dos dispositivos analisados demonstram que, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, as tratativas sobre o imóvel prosseguiram por intermédio de Guilherme Sodré, Davi Lopes Monteiro e Daniel Lopes Monteiro, em novas manobras contratuais executadas com o propósito de evitar a descoberta do negócio ilícito pelos investigadores.” Para os investigadores da Polícia Federal, a operação dos irmãos Monteiro para omitir a conexão do Poème Horto com Wagner repete o modus operandi executado por Daniel para ocultar a entrega de apartamentos na forma de propina para o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Como mostramos no blog em abril, o advogado e Vorcaro mobilizaram fundos geridos pela Reag para ocultar os repasses de seis apartamentos de luxo em São Paulo e Brasília para o dirigente do banco de Brasília. A operação foi interrompida a mando do então dono do Master após o Ministério Público Federal instaurar um inquérito para apurar irregularidades na compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB. A equipe da coluna procurou a assessoria de Jaques Wagner, mas ainda não obteve resposta.