Investigação da Polícia Federal aponta ligação do senador e líder do governo do presidente Lula no caso Master; imóvel é avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Poème Horto, prédio onde Jaques Wagner teria recebido apartamento — Foto: Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 18/06/2026 - 11:31 PF Investiga Senador Jaques Wagner por Propina em Caso Master A Polícia Federal investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA) por supostamente ter recebido um apartamento de luxo como propina no caso Master. Avaliado em R$ 2,5 milhões, o imóvel em Salvador é parte da Operação Compliance Zero. O senador nega envolvimento e critica a associação de seu nome ao escândalo. A investigação também envolve figuras como Flávio Bolsonaro, relacionado a financiamentos para um filme. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar o envolvimento do senador Jaques Waquer (PT-BA) no caso Master, aponta a suspeita de que o parlamentar teria recebido um apartamento de luxo em Salvador como forma de propina. A aquisição do imóvel teria sido viabilizada pelo banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e também alvo de mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira. Conforme antecipado pela colunista Malu Gaspar, do GLOBO, as investigações apontam que o apartamento foi avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões de reais. Segundo a PF, o empreendimento seria um dos imóveis do condomínio Poème Horto, localizado em uma área nobre a capital baiana e com previsão de ser entregue no segundo semestre deste ano. A polícia afirma que, em novembro de 2024, Jaques Wagner encaminhou a Lima o contato do gerente da Moura Dubeux, construtora responsável pela obra, acompanhado pela mensagem: "a unidade é a (número) 1702, e o preço é 2,45 mi (milhões de reais)". No mesmo dia, o banqueiro enviou as informações para Valério Marega, apontado como operador financeiro ligado ao Master. As tratativas foram mantidas mesmo após a deflagração da primeira fase da Compliance Zero. Quatro suítes e duas unidades por andar Os apartamentos do empreendimento citado possuem 173,18 m² ou 203,91 m², todos com quatro suítes e cinco banheiros. São duas unidades por andar distribuídas entre os 36 pavimentos, que inclui "hall exclusivo". Os apartamentos de 203,91 m² até o 17º andar contam com três vagas e depósito privativo, e, a partir do 18º andar, o número de vagas sobe para quatro. Já os de 173,18 m², independentemente do pavimento, possuem três vagas. Os anúncios na internet descrevem "infraestrutura completa de lazer", com piscina de raia semiolímpica, academia, salão de jogos, quadra de tênis e espaços para pets. O bairro Horto Florestal é descrito nas vendas como "sinônimo de viver rodeado de verde e tranquilidade". O empreendimento também é apontado como sustentável, com o uso de economizadores de energia, aproveitamento de águas pluviais e infraestrutura que suporta carregadores de carros elétricos. Ao todo, são 72 unidades e 235 vagas de garagem distribuídas entre os mais de 3,2 mil km². Também há SPA aquecido, espaço para massagem e guarita de segurança blindada. Veja fotos do empreendimento apontado pela PF como suposta propina dada a Jaques Wagner 1 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação 2 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 fotos 3 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação 4 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 5 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação 6 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação X de 7 Publicidade 7 de 7 Poéme Horto — Foto: Divulgação Investigação detalha ligação do senador com caso Master Entenda a operação Um endereço ligado a Wagner foi alvo de busca e apreensão pela PF esta quinta-feira. Os agentes realizam a nona fase da Operação Compliance Zero, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). O nome do senador já havia surgido no contexto do caso Master depois de ter sido revelado que a nora dele recebeu pelo menos R$ 11 milhões do banco. O valor foi pago à empresa BK Financeira, que pertence a ela. Em nota, o senador disse que “não tem conhecimento de nenhuma investigação, uma vez que jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”. A firma, por sua vez, nega irregularidades e diz que prestou serviços. Wagner vinha classificando o escândalo do Banco Master como uma "trambicagem", negando qualquer envolvimento com as irregularidades investigadas e criticando reportagens que relacionavam seu nome ao caso. Em entrevistas e discursos no Senado, o petista afirmou estar "tranquilo e calmo", disse que não havia investigações sobre sua conduta e atribuiu o esquema a falhas de fiscalização do Banco Central. Pedido de dinheiro a Vorcaro Flavio Bolsonaro também teve a campanha impactada pelo escândalo do Master. A crise começou após o Intercept revelar áudios em que o senador pede apoio financeiro a Daniel Vorcaro, dono da banco, para ajudar a concluir “Dark Horse”. Na gravação, o senador demonstra preocupação com atrasos em pagamentos ligados ao longa e cita o risco de não conseguir honrar compromissos assumidos com integrantes da equipe do filme, incluindo o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. Desde então, reportagens também passaram a apontar participação formal do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro na estrutura financeira do filme, além de mensagens discutindo formas de envio de recursos aos Estados Unidos. A Polícia Federal investiga se parte do dinheiro ligado ao longa poderia ter sido usada para custear a permanência de Eduardo no exterior. Na tentativa de conter o desgaste, Flávio passou a defender publicamente a instalação de uma CPMI para investigar o Banco Master e anunciou que pediu uma prestação de contas detalhada da produtora e do fundo ligado ao investimento do filme.