Essa semana, segui minha vida como se nada estivesse acontecendo. Trabalhei, fui à Flip e cuidei das crianças.
Mas, no fundo do pensamento, em silêncio, não parava de pensar no Parker, um canadense de 11 anos, autista não verbal, que sumiu de casa em 16 de julho, o que comoveu a cidade de Calgary, com centenas de voluntários e policiais procurando por ele por quase duas semanas. Também pensava no João Gabriel, um brasileiro de 5 anos, também autista não verbal, que também sumiu de casa, no domingo (26).
Para pavor e desespero de nós, mães e pais atípicos, ambos foram encontrados sem vida. João Gabriel na terça-feira (28), e Parker nesta quarta (29).
Ambos foram vítimas do "elopment", termo usado para fugas ou saídas inesperadas de ambientes seguros sem supervisão ou consciência dos riscos — comportamento bastante comum entre pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Por mais que essa seja uma ameaça que paira cotidianamente sobre famílias atípicas, como a minha, o risco do "elopment" é ignorado pela maior parte das pessoas e autoridades. Eu diria, no entanto, que esse é um drama escondido só porque nós, enquanto sociedade, queremos que seja.








