Cúpula do PL estava insatisfeita com rumos da comunicação do candidato à Presidência da República 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Flávio Bolsonaro durante a convenção que confirmou sua candidatura à presidência — Foto: Maria Isabel Oliveira / O Globo O marqueteiro Duda Lima, que coordenou a estratégia da candidatura à reeleição do então presidente Jair Bolsonaro em 2022, vai assumir a campanha do candidato do PL ao Palácio do Planalto, senador Flávio Bolsonaro (RJ). A cúpula da campanha bolsonarista estava insatisfeita com os rumos da comunicação. O clima se arrastava desde antes da convenção que consagrou Flávio como candidato da legenda, realizada em São Paulo no último sábado (25). De acordo com integrantes do QG bolsonarista, Duda se reuniu com Flávio Bolsonaro e o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), e o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, na tarde da última segunda-feira. Na ocasião, o grupo manifestou contrariedade com a estratégia de comunicação na largada da campanha eleitoral em uma espécie de reunião de avaliação, na qual pediram a Duda opiniões e análises sobre o desempenho do presidenciável até o momento. Segundo interlocutores dos presentes, o marqueteiro sinalizou durante o encontro não ter interesse em assumir uma campanha neste ciclo eleitoral. Mas, a aliados, ele admitiu que seria difícil negar um pedido direto de Valdemar, de quem é muito próximo. Até então, Duda vinha prestando serviços de mentoria a vários candidatos e não estava vinculado a nenhuma campanha neste ano até topar assumir a comunicação de Flávio Bolsonaro. O movimento sacramenta a saída de Eduardo Fischer e Alexandre Oltramari. Trata-se de mais uma troca no núcleo duro da campanha em menos de três meses. A dupla ingressou no time de Flávio após a crise deflagrada pela divulgação de conversas entre o presidenciável e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, derrubar o então marqueteiro, Marcello Lopes, conhecido como Marcelão. Além da frustração com a entrega, internamente havia também a percepção de que Flávio não tinha um canal aberto com Fischer e Oltramari, o que dificultava a dinâmica da campanha. Em nota encaminhada à imprensa, Rogério Marinho agradeceu em nome da campanha "o excepcional trabalho desempenhado por Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer" e declarou que as contribuições da dupla "foram importantíssimas e valiosas nessa etapa e marcaram um momento estratégico desta caminhada". A troca no comando do marketing ocorre no momento em que as negociações entre o PL e o Centrão estão emperradas, com o cenário de uma chapa "puro sangue" considerada cada vez mais provável nos bastidores. Como publicamos no blog nesta quinta-feira, caso não feche com o Republicanos e a federação formada pelo União Brasil e o PP, Flávio terá menos tempo de TV e rádio do que o presidente Lula, que também sai na frente por estar no controle da máquina pública. Em decorrência do impasse, o filho 01 de Jair Bolsonaro foi oficializado candidato à Presidência da República pela convenção sem apontar sua candidata a vice. Segundo a pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (24), Flávio tem 32% das intenções de voto no primeiro turno, contra 40% do petista. Na segunda rodada, o atual presidente venceria com 48% contra 43% do senador do PL. Já os levantamentos regionais divulgados nesta semana pela Genial/Quaest mostram um cenário de empate técnico entre os candidatos em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais do país.