Duda Lima assume comunicação com estratégia de concentrar candidato em temas nacionais 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A nova marca de Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução Depois de uma reta final de pré-campanha marcada por episódios envolvendo Javier Milei e Donald Trump que acabaram desviando o foco da candidatura, Flávio Bolsonaro (PL) prepara uma mudança de chave para a largada oficial da corrida ao Planalto. Com Duda Lima recém-chegado ao comando da comunicação, a campanha quer privilegiar uma agenda doméstica, concentrada em problemas nacionais, nos palanques estaduais e na aproximação com segmentos considerados estratégicos. Um dos primeiros alvos é o eleitorado evangélico, para o qual o presidenciável pretende intensificar encontros com lideranças religiosas. A nova fase começará a ganhar as ruas com uma sequência de viagens pelo Sudeste. Flávio fará sua estreia oficial na Praia de Copacabana, e seguirá na segunda-feira para Minas Gerais, com compromissos previstos em Juiz de Fora e Belo Horizonte. A região deverá concentrar cerca de 60% de sua agenda durante a campanha. A intenção não é abandonar bandeiras tradicionais do bolsonarismo, mas evitar que acontecimentos e personagens externos voltem a se sobrepor à mensagem do candidato. Segurança pública, inflação, emprego e desenvolvimento deverão dividir o centro do discurso com críticas ao governo Lula e pautas caras à base, como os embates com o Supremo Tribunal Federal. O primeiro movimento dessa etapa ocorreu nesta terça-feira, ainda em Brasília. Flávio concentrou candidatos ao Senado apoiados por ele em diferentes estados para uma maratona de gravações. Além de produzir conteúdos regionalizados, a campanha buscou transformar os postulantes em multiplicadores da candidatura presidencial e reforçar uma mensagem comum para a largada eleitoral. A operação foi uma das primeiras ações de maior escala desde a chegada de Duda e ajuda a mostrar a tentativa de organizar a campanha a partir dos palanques locais. Flávio anunciou apoio a 47 candidatos ao Senado, inclusive de partidos que não integram formalmente sua coligação, e pretende aproveitar essas estruturas para chegar a regiões que não conseguirá visitar com frequência nos pouco mais de 40 dias de campanha. Evangélicos no radar Paralelamente, a campanha abriu uma frente para ampliar a interlocução de Flávio com o eleitorado evangélico. Integrantes da coordenação passaram a procurar pastores, parlamentares e representantes de diferentes denominações, e o presidenciável deverá ampliar os encontros com lideranças religiosas nos próximos dias. Entre os responsáveis pela articulação está o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Também estão no radar conversas com lideranças de igrejas no Rio de Janeiro e no Distrito Federal. A movimentação já começou a aparecer na agenda pública. No último fim de semana, Flávio participou de um culto da Igreja Mundial do Poder de Deus, em São Paulo, ao lado do ex-deputado Eduardo Cunha. A aproximação com o líder da denominação, Valdemiro Santiago, estava entre os movimentos planejados pela articulação voltada ao segmento. Flávio se apresenta como evangélico e, em janeiro, foi batizado nas águas do Rio Jordão, em Israel, repetindo um gesto feito anteriormente por Jair Bolsonaro. Agora, a campanha quer tornar essa identificação mais presente na disputa e ampliar os canais com um eleitorado no qual o senador já tem vantagem sobre Lula, mas que é considerado essencial para consolidar sua base. Mudança de chave Duda Lima assumiu o marketing da candidatura depois da saída de Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer, no fim de julho. A troca ocorreu após uma sequência de desgastes internos e de episódios que, na avaliação de integrantes da campanha, dificultaram a construção de uma mensagem centrada em Flávio. Um dos principais exemplos foi a convenção que oficializou a candidatura. A participação do presidente argentino Javier Milei ganhou protagonismo no evento e dividiu espaço com o próprio presidenciável. Também houve incômodo com o peso adquirido por discussões relacionadas a Donald Trump e com a repercussão do uso de inteligência artificial durante a convenção. A avaliação no novo núcleo de comunicação é que a campanha oficial precisa começar com Flávio menos sujeito a agendas externas e mais associado a assuntos capazes de dialogar diretamente com o cotidiano do eleitor. A mudança também passa por dar maior disciplina à relação entre discurso, redes sociais, propaganda e agenda de rua. Isso não significa uma ruptura com a identidade construída até aqui. Jair Bolsonaro seguirá como principal referência política do filho, Michelle Bolsonaro já começou a participar das gravações eleitorais e o confronto com o STF continuará presente. Nesta terça-feira, por exemplo, a campanha orientou candidatos ao Senado a ampliarem nos estados as críticas à Corte. Sudeste no centro O roteiro dos próximos dias será a primeira vitrine dessa mudança e terá continuidade na semana seguinte. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro concentram 63,3 milhões de eleitores, o equivalente a 39,9% do eleitorado brasileiro, e deverão receber aproximadamente 60% da agenda do presidenciável. Flávio abre oficialmente a campanha no Rio, com um ato na Praia de Copacabana no domingo. Na semana seguinte, a previsão é permanecer dois dias em Minas Gerais, nos dias 17 e 18. No dia 19, retorna a Brasília e, na sequência, vai a São Paulo e volta ao Rio de Janeiro. A concentração no eixo reforça a estratégia de transformar o Sudeste no principal território da largada da candidatura. Em São Paulo, a campanha aposta na força do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pretende ampliar a presença de Flávio na capital e nas periferias. No Rio, seu berço político, o senador tentará preservar a vantagem que Jair Bolsonaro obteve sobre Lula em 2022. Minas terá espaço especialmente relevante nessa sequência, com dois dias reservados à campanha no estado. O PL decidiu manter Flávio Roscoe como candidato próprio ao governo, apesar de Cleitinho Azevedo (Republicanos), tratado como aliado do presidenciável, também estar na disputa. O estado é o segundo maior colégio eleitoral do país e, em 2022, reproduziu quase exatamente a divisão nacional: Lula venceu Bolsonaro por 50,20% a 49,80%.
Com novo marqueteiro, Flávio prepara largada doméstica após desgastes com Milei e Trump e mira evangélicos
Duda Lima assume comunicação com estratégia de concentrar candidato em temas nacionais
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