Uma combinação de fenômenos meteorológicos potencializada pelo El Niño deu origem aos eventos climáticos extremos que atingiram o Sul e o Sudeste nesta semana. Foi uma soma de fatores, segundo especialistas: a atuação de uma frente fria, áreas de baixa pressão, um corredor de umidade e um forte contraste de temperatura provocaram chuva extrema no Rio Grande do Sul e vendavais que deixaram mortos em São Paulo e no Rio de Janeiro, segundo meteorologistas.
O El Niño entrou em atuação neste ano, mas meteorologistas ouvidos pela Folha afirmam que atribuir os temporais exclusivamente a ele seria uma simplificação.
O aquecimento das águas do Pacífico ajuda a criar um ambiente mais quente e úmido, aumentando a energia disponível na atmosfera e favorecendo a ocorrência de eventos extremos, mas a intensidade de cada episódio depende da atuação simultânea de diferentes sistemas meteorológicos.
"É muito errado usar o El Niño para explicar um evento isolado. Ele cria um cenário mais favorável, mas uma chuva extrema ou um vendaval dependem da combinação de vários fatores atmosféricos", afirma o meteorologista e consultor climático Francisco de Assis.
Assis explica que, no episódio desta semana, a frente fria avançou sobre uma atmosfera abastecida por um intenso transporte de umidade vindo da Amazônia. Ao mesmo tempo, um cavado —área alongada de baixa pressão— reforçou a instabilidade, enquanto o encontro entre massas de ar quente e frio criou um contraste de temperatura suficiente para intensificar tempestades.











