O Brasil viveu uma semana marcada por uma sequência de eventos climáticos extremos que atingiram diferentes regiões do país. Enquanto um tornado provocou destruição no Rio Grande do Sul e as chuvas voltaram a causar enchentes em cidades gaúchas, ventos superiores a 120 km/h deixaram mortos, derrubaram árvores, interromperam o fornecimento de energia e afetaram o transporte em São Paulo e no Rio de Janeiro. Embora os fenômenos tenham características distintas, especialistas apontam que todos estão relacionados à passagem de uma frente fria intensa e ao forte contraste entre massas de ar com temperaturas e níveis de umidade muito diferentes. Tornado destruiu casas no Rio Grande do Sul O episódio mais raro ocorreu na noite de terça-feira, quando um tornado atingiu os municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Vídeo mostra formação de tornado no Rio Grande do Sul — Foto: Reprodução | X Segundo a Defesa Civil, o fenômeno foi provocado por uma supercélula, tipo de tempestade caracterizada por uma corrente ascendente em rotação, capaz de produzir granizo de grandes dimensões, rajadas intensas e, em situações específicas, tornados. Duas casas foram completamente destruídas em Sete de Setembro. Inicialmente, as autoridades divulgaram sete feridos, mas posteriormente revisaram o número para quatro vítimas, das quais apenas uma permaneceu internada. Como não há estações meteorológicas na região atingida, não foi possível medir a velocidade dos ventos. Imagens de radar, porém, confirmaram a formação do tornado por volta das 18h25. Enchentes voltam a atingir cidades gaúchas Ao mesmo tempo, o Rio Grande do Sul voltou a enfrentar problemas provocados pelas chuvas intensas. Municípios registraram acumulados superiores a 100 milímetros, provocando a elevação do nível dos rios e novos alagamentos. Enchentes no Rio Grande do Sul — Foto: Reprodução/Jornal Nacional Em Rolante, moradores passaram a madrugada tentando salvar móveis antes que a água invadisse as casas. Em Caxias do Sul, uma tempestade de granizo cobriu ruas de branco, enquanto um vendaval provocou danos em uma escola e em parte de uma igreja no município de Flores da Cunha. Muitas famílias voltaram a ser afetadas pouco mais de um ano após a histórica enchente de 2024, interrompendo novamente obras de reconstrução e reforma de imóveis. Ventos acima de 120 km/h atingiram Sudeste No Sudeste, o destaque foi a ventania que atingiu principalmente São Paulo e Rio de Janeiro. Rajadas superiores a 120 km/h derrubaram árvores, destelharam imóveis, interromperam linhas de transporte, deixaram milhares de consumidores sem energia elétrica e provocaram mortes. Segundo meteorologistas, os ventos foram intensificados pela chegada de uma frente fria sobre uma atmosfera extremamente aquecida. Até então, a região estava sob influência de uma massa de ar quente e seco. Com o avanço de uma massa de ar mais fria e úmida vinda do Sul, formou-se um forte contraste de temperatura e umidade, criando condições favoráveis para uma frente de rajada, fenômeno que produz ventos intensos e organizados. O que explica tantos eventos extremos? Apesar de terem ocorrido em regiões diferentes, os fenômenos registrados nesta semana compartilham um mesmo cenário atmosférico. A combinação entre calor intenso, ar seco, avanço de uma frente fria e elevada disponibilidade de umidade favoreceu a formação de tempestades severas, algumas organizadas em supercélulas, capazes de produzir granizo, ventos destrutivos e até tornados. No Sul, esse ambiente também potencializou o grande volume de chuva responsável pela cheia dos rios. Já no Sudeste, o principal efeito foi a intensificação das rajadas de vento.
'Deu a louca' no clima? Brasil tem semana de extremos e enfrenta tornados, enchentes e ventos acima de 120 km/h
Enquanto um tornado atingiu o Rio Grande do Sul e rios voltaram a transbordar, rajadas superiores a 120 km/h provocaram mortes e destruição em São Paulo e no Rio de Janeiro; meteorologistas apontam choque entre massas de ar como principal fator












