Disruptores endócrinos são compostos capazes de alterar a produção, o transporte, o metabolismo ou a ação dos hormônios. Eles são encontrados em diversos produtos presentes no nosso cotidiano, como recipientes plásticos, revestimentos internos de latas, embalagens de alimentos, alguns cosméticos e tecidos sintéticos, entre outros.
Do ponto de vista biológico, funcionam como verdadeiros "hackers" do sistema hormonal. Penetram no corpo por ingestão, inalação ou absorção pela pele. Alguns apresentam estrutura semelhante à dos hormônios naturais e ativam respostas inadequadas ou exageradas. Outros agem como uma chave defeituosa: ocupam os receptores celulares, mas bloqueiam ou reduzem a ação dos hormônios produzidos pelo organismo.
Entre os órgãos mais vulneráveis à ação dos disruptores endócrinos está a glândula tireoide. Ela produz hormônios que regulam o metabolismo, o gasto energético, a temperatura corporal, o desenvolvimento neurológico e diversas funções cardiovasculares. Como seu bom funcionamento depende de um delicado equilíbrio hormonal, pequenas alterações podem repercutir em diferentes órgãos e fases da vida.
Uma vez no organismo, os disruptores endócrinos podem dificultar a captação de iodo, indispensável para a produção dos hormônios T3 e T4; alterar a atividade de enzimas envolvidas na sua síntese; modificar o transporte desses hormônios pelo sangue, seu metabolismo e sua eliminação ou interferir em sua ligação aos receptores celulares. Por isso, a tireoide se tornou um dos principais focos das pesquisas sobre os impactos dessas substâncias.







