A política externa, as relações do Brasil com outros países, não é assunto que faça sucesso com o público interno. Se o noticiário internacional dos meios de comunicação é restrito a acontecimentos pontuais, nas campanhas eleitorais o tema nunca fez parte do cardápio. Até agora.

Um espaço inédito vem sendo ocupado por questões que ultrapassam as fronteiras nacionais. Há os embates com os Estados Unidos e a Argentina, a ideia de importação dos métodos de combate ao crime de El Salvador e o reflexo, na eleição brasileira, do avanço da direita extrema na América Latina.A inserção do eleitorado no debate sobre o que se passa ao redor e alhures não deixa de ser uma novidade interessante. Necessária até, desde que não fosse rasa —reduzida à produção de mera propaganda— nem substituísse a abordagem aprofundada dos assuntos internos a respeito dos quais os candidatos, notadamente os favoritos nas pesquisas, têm deixado muitíssimo a desejar.

Tarifas, insultos, vistos negados, crescimento da "onda azul", riscos de interferência externa —tudo isso tem a sua importância, mas nada disso pode servir ao diversionismo sem resultados de quem tem a obrigação primeira de dizer (e convencer) o que pretende como projeto para levar o Brasil adiante.