Em agosto a discussão será para avaliar a ampliação da lista de exceções ao tarifaço O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (30/7) que o Brasil não sairá da mesa de negociação com os Estados Unidos e que uma nova rodada de conversas com os americanos deverá ocorrer em agosto. Segundo ele, a discussão será para avaliar a ampliação da lista de exceções ao tarifaço, a eventual redução das tarifas e até mesmo a avaliação do mérito da decisão americana. Em entrevista após evento em Brasília, o ministro voltou a criticar o tarifaço e disse que os motivos invocados pelo governo de Donald Trump para impor novas tarifas aos produtos brasileiros são “falsos ou inexistentes”. Ele citou a redução do desmatamento nos últimos anos e os compromissos firmados pelo Brasil em acordos pela proibição do trabalho forçado, duas questões apontadas por Washington para aplicar taxas de 25% e 12,5% a setores exportadores. O ministro ressaltou que não se pode minimizar o problema por atingir “apenas” cerca de 18% do que o Brasil exporta para os EUA. “A última reunião que tivemos foi em 14 de julho, na véspera do tarifaço, e terminou com compromisso recíproco de voltarmos a conversar em agosto, isso ficou pactuado. No momento que for possível vamos discutir a ampliação da lista de exceções, a redução de tarifas e a rediscussão do mérito”, afirmou a jornalistas nos bastidores do Outlook Agro Brasil, evento realizado pelo Ministério da Agricultura e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Antes, em discurso na abertura do evento, Rosa disse que a Organização Mundial do Comércio (OMC) “faz muita falta”, mas que, apesar do enfraquecimento do multilateralismo no comércio internacional, o Brasil não sairá da mesa de negociação “por pior que seja o desaforo”. “O multilateralismo está em crise, mas isso não é problema para a gente desistir, não é o que vai nos desmotivar. O presidente Lula disse: o Brasil não sai da mesa de negociação por pior que seja o desaforo, pois acredita no poder de negociação”, afirmou. O discurso foi feito para uma plateia repleta de empresários do agronegócios. Rosa disse que permanecerá na mesa de negociação enquanto houver tratamentos injustos a produtos como tilápia, carne suína e açúcar. O Brasil ainda não exporta carne suína para os Estados Unidos, por exemplo, e tem tarifas e cotas para vender açúcar e alguns pescados. “Mais importante que o fígado inflado é a razão, bom senso e equilíbrio”, afirmou. Marcio Elias Rosa: — Foto: Wenderson Araujo/Valor