Ideia partiu da cúpula do partido, mas enfrenta resistência dentro da campanha de Flávio 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Romeu Zema e Flávio Bolsonaro são pré-candidatos à Presidência — Foto: Marcos Corrêa/PR e Saulo Cruz/Agência Senado A dificuldade do PL para fechar uma aliança nacional levou integrantes da cúpula do partido a abrir uma nova frente de articulação para a vaga de vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nos últimos dias, interlocutores fizeram contatos informais para testar a receptividade ao nome da economista Marina Helena (Novo-SP), que concorreu à prefeitura de São Paulo em 2024. A iniciativa, no entanto, enfrenta resistência dentro da própria campanha do senador e foi recebida com desconfiança pelo Novo, onde dirigentes passaram a interpretar o movimento como uma espécie de "troco" pela irritação provocada pela declaração de Romeu Zema (Novo) de que Michelle Bolsonaro poderia ser sua candidata a vice. Segundo integrantes da campanha de Flávio, a possibilidade de Marina Helena integrar a chapa nunca foi consenso. Auxiliares do senador avaliam que, embora a economista tenha boa presença nas redes sociais e dialogue com o eleitorado liberal, ela agregaria pouco do ponto de vista político e eleitoral. A leitura é que, como o Novo possui uma bancada reduzida no Congresso, uma aliança com a legenda produziria efeito semelhante ao de uma chapa composta apenas por quadros do próprio PL. A articulação ocorre em um momento que o partido busca evitar uma chapa pura diante das dificuldades enfrentadas nas negociações com partidos do Centrão. Na campanha, porém, prevalece o entendimento de que insistir em um nome do Novo não resolveria o principal problema da candidatura: ampliar a coalizão e conquistar maior capilaridade política. Troco por Michelle No Novo, a iniciativa foi recebida com surpresa. Integrantes da legenda afirmam que Marina Helena não recebeu qualquer convite formal e que sua prioridade permanece sendo a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados. Ao GLOBO, a economista afirmou que considera positivo ter seu nome lembrado para posições de protagonismo, mas reforçou que está integralmente dedicada à campanha de deputada federal. — É bom ver meu nome lembrado nesse contexto e torço para que signifique aderência aos valores que sempre defendi no Ministério da Economia e na política, mas não houve qualquer convite formal. Meu foco está totalmente voltado para a campanha a deputada federal — afirmou. Reservadamente, dirigentes do Novo avaliam que a sondagem tem também um componente político. Integrantes da direção nacional afirmam que a aproximação ocorre poucos dias depois da forte reação da cúpula do PL às declarações de Romeu Zema sobre Michelle Bolsonaro. Um integrante da direção da legenda resumiu o episódio como um "chumbo trocado" entre os dois partidos. O atrito começou no dia 18 de julho, quando Zema afirmou que Michelle poderia ser uma das opções para ocupar a vaga de vice em sua chapa presidencial. A declaração provocou forte irritação entre dirigentes do PL, que interpretaram a fala como uma tentativa de explorar a crise vivida entre a ex-primeira-dama e Flávio Bolsonaro para fortalecer a candidatura do ex-governador. Michelle reagiu publicamente, descartou qualquer possibilidade de integrar uma chapa de outro partido e lembrou que é filiada ao PL, legenda que já havia lançado Flávio como candidato ao Palácio do Planalto. Nos bastidores, integrantes da direção do PL acusaram Zema de alimentar deliberadamente uma especulação sem fundamento em um momento de maior fragilidade interna do bolsonarismo. A avaliação era de que o ex-governador repetia uma estratégia já adotada em maio, quando endureceu as críticas a Flávio Bolsonaro durante a crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro. Na semana seguinte, contudo, Flávio e Michelle fizeram as pazes publicamente. O senador publicou um vídeo com um pedido de desculpas e a ex-primeira-dama aceitou.