0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo argentino, Javier Milei, durante cúpula do Mercosul em Buenos Aires — Foto: Luis ROBAYO / AFP A crise entre Brasil e Argentina é séria, mas tende a ser contornada em algum momento. Não se deve apressar esse processo. Quando o Brasil chama seu embaixador de volta, sem estabelecer prazo para o retorno, envia um sinal claro na linguagem diplomática: trata-se de um gesto grave, que indica que o país aguarda uma iniciativa de quem provocou a crise. Neste caso, o presidente argentino, Javier Milei. O Brasil deveria evitar qualquer palavra sobre esse episódio, inclusive patacoada. O momento exige absoluto silêncio, porque a palavra agora está com a Argentina. O ministro das Relações Exteriores argentino afirmou que não deseja o rompimento das relações com o Brasil, mas foi o presidente argentino que deu origem à crise com as ofensas dirigidas ao presidente Lula e a ministro do STF. Cabe, portanto, a Buenos Aires fazer o esforço para evitar que a situação se agrave. E não parece provável que se chegue ao rompimento das relações, um cenário de extrema gravidade. Brasil e Argentina mantêm uma relação marcada por rivalidades históricas, mas também por uma profunda complementariedade. Os dois países precisam um do outro, integram o mesmo bloco regional e compartilham uma agenda estratégica de negociações internacionais. Neste momento, espera-se que a Argentina tome a iniciativa para superar a crise. Enquanto isso, o embaixador Julio Bitelli segue sem data para retornar a Buenos Aires.