O governo brasileiro vai avaliar os rumos da relação com o presidente da Argentina, Javier Milei, para definir o retorno do embaixador brasileiro ao país vizinho. Júlio Bitelli foi convocado a voltar ao Brasil após os ataques do líder argentino contra o presidente Lula (PT).

A avaliação compartilhada entre Planalto e Itamaraty é que o retorno de Bitelli à Argentina está condicionado a uma mudança nas tratativas de Milei com o Brasil, segundo disseram à Folha três auxiliares envolvidos nas discussões. Diante disso, ainda não há perspectiva de data para o embaixador retomar os trabalhos no país vizinho.

Milei fez duras críticas ao governo petista e ao Brasil ao participar da convenção do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro. Ele se referiu a Lula como presidiário, acusou o Brasil de fazer campanha contra a Argentina e chamou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de "lixo careca".

O embaixador brasileiro foi convocado a voltar para o território brasileiro na madrugada do domingo (26). Desde então, ele se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, na última segunda (27) no Palácio do Itamaraty, onde fizeram uma primeira avaliação da situação atual da relação entre os dois países. Uma nova conversa entre os dois está marcada para esta quarta (29).