'Estamos profundamente decepcionados', escreveu fundador do evento focado na exibição de filmes de cineastas negros e de diversas culturas 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Stacy Spikes, fundador do Urbanworld, festival de cinema de Nova York focado em filmes multiculturais — Foto: Shuran Huang/The New York Times Um novo ponto de conflito surgiu na terça-feira no debate sobre inteligência artificial e expressão artística. A disputa envolve o Urbanworld, um festival de Nova York que exibe filmes de cineastas negros e de diversas culturas, e o Writers Guild of America East, sindicato com 6.000 membros que representa roteiristas de cinema, televisão, podcasts e notícias digitais. Em uma carta enviada à equipe e aos apoiadores, o fundador do Urbanworld, Stacy Spikes, afirmou que o sindicato havia "retirado seu patrocínio e participação no festival deste ano" devido à decisão de incluir filmes produzidos com ferramentas de IA. “Estamos profundamente decepcionados”, escreveu Spikes na carta, cuja cópia foi vista pelo New York Times. “Na última década, o WGAE tem sido um dos parceiros mais valorizados do Urbanworld.” Um porta-voz do sindicato não respondeu de imediato a um pedido de comentário. A organização tem sido uma das vozes mais enfáticas da indústria do entretenimento a alertar sobre os perigos da IA ​​generativa, utilizando sua campanha #AINeedsHumans para defender a proteção dos trabalhadores e a transparência. Um porta-voz da Urbanworld não quis divulgar o valor financeiro do apoio retirado pelo sindicato. A Urbanworld não revelou a lista de patrocinadores do festival deste ano, que começa em 14 de outubro. Os patrocinadores de 2025 incluíram HBO, Warner Bros. Discovery, Netflix e o Directors Guild of America, segundo o site da Urbanworld. O festival tem servido de plataforma para Ryan Coogler, Ava DuVernay, Cord Jefferson e outros cineastas desde a sua fundação, em 1997. No mês passado, o festival anunciou uma nova seção de programação chamada "AI Sidebar", destinada a diretores que utilizam IA generativa e ferramentas digitais correlatas para criar suas obras. “Em vez de ignorar esses projetos ou forçá-los a se encaixar em categorias que nunca foram concebidas para avaliá-los, acreditamos que a abordagem mais transparente e responsável seria criar um espaço dedicado onde pudessem ser vistos, discutidos e julgados ao lado de trabalhos comparáveis”, escreveu Spikes. Ele acrescentou: “Compreendemos por que a inteligência artificial se tornou uma das questões mais debatidas pela comunidade criativa. Questões que envolvem autoria, remuneração, consentimento, emprego, propriedade criativa e o futuro do trabalho criativo merecem uma discussão séria.” De modo geral, os programadores de festivais têm resistido a tratar a produção cinematográfica com IA como uma categoria artística própria. Alguns festivais, incluindo Cannes, proibiram a participação em competições de filmes que dependem fortemente de ferramentas de IA. Outros demonstraram disposição para explorar essa possibilidade, como o Festival de Tribeca, que recentemente exibiu — como parte de sua programação oficial — um filme criado inteiramente com IA, sem atores, cenários ou câmeras. “Acreditamos que a resposta é o engajamento, não a ausência”, afirmou Spikes em sua carta.