Complexo comercial da Aeon deveria servir de abrigo e distribuir alimentos em caso de desastre O shopping Aeon, destruído por uma explosão após um terremoto, é visto em Kashima, província de Kumamoto, sul do Japão, na quarta-feira, 29 de julho de 2026 — Foto: AP/Hiro Komae A explosão que matou pessoas em um shopping na província de Kumamoto, no sudoeste do Japão, na terça-feira, após o terremoto de magnitude 7,1 que atingiu a região, levantou novas preocupações sobre a resistência dos diversos centros de resposta a desastres do país, que devem abrigar desabrigados e distribuir suprimentos de emergência em momentos de crise. O Aeon Mall Kumamoto havia sido designado como centro de resposta a desastres por meio de um acordo com a cidade de Kashima. Quando um forte terremoto atingiu Kumamoto em 2016, o shopping apoiou os esforços de evacuação ao abrir seu estacionamento para que pessoas impossibilitadas de voltar para casa passassem a noite em seus veículos. Desta vez, porém, o shopping perdeu a capacidade de funcionar tanto como local de evacuação quanto como centro de distribuição de alimentos e outros suprimentos essenciais. Grandes centros comerciais são considerados importantes para a resposta a desastres por contarem com amplas instalações e grandes estoques de alimentos e produtos de primeira necessidade. Assim como o Aeon Mall Kumamoto, muitos deles mantêm acordos de cooperação com governos locais e estão incorporados aos planos municipais de resposta a desastres. Mas a explosão de terça-feira aumentou as preocupações entre autoridades locais e do governo central que vinham promovendo o desenvolvimento desses centros de resposta. "Pode haver um debate sobre a necessidade de exigir que instalações comerciais reforcem sua capacidade de resistir a desastres", afirmou uma autoridade do gabinete japonês. A Aeon, gigante do varejo que opera o shopping de Kumamoto, vem promovendo suas unidades como centros de resposta a desastres em todo o Japão. Em fevereiro de 2024, a empresa havia firmado acordos amplos de cooperação com 141 municípios. A varejista também reforçou as medidas de preparação para emergências em suas instalações, distribuindo grandes tendas de emergência pelo país. A cidade de Iwaki, na província de Fukushima, assinou um acordo com a Aeon em 2018 e designou o Aeon Mall Iwaki Onahama como ponto temporário de evacuação em caso de tsunami. Quando um alerta de tsunami foi emitido após um terremoto na península russa de Kamchatka, em 2025, a prefeitura de Iwaki pediu ao shopping que orientasse os evacuados e distribuísse alimentos e água. Após a explosão em Kumamoto, autoridades de Iwaki disseram que irão reavaliar a segurança da instalação. Ao mesmo tempo, manifestaram preocupação por não haver edifícios próximos capazes de acomodar simultaneamente moradores e turistas. Sem o shopping, alertaram, "a resposta a um tsunami, que exige evacuação rápida, se tornaria difícil". "Instalações do setor privado costumam ser projetadas apenas para atender aos requisitos mínimos de resistência a desastres, ao contrário dos edifícios públicos, que precisam cumprir padrões mais elevados de resistência a terremotos e outras medidas de proteção", afirmou Hirokazu Toki, professor de engenharia estrutural da Universidade da Prefeitura de Shiga. Segundo ele, os municípios que firmaram acordos de cooperação para situações de desastre "precisam avaliar com mais cuidado se essas instalações realmente conseguem funcionar de forma eficaz durante desastres". Em relação à explosão no shopping de Kumamoto, investigadores apontaram a possibilidade de que o acidente tenha sido provocado por um vazamento de gás após o terremoto, seguido de incêndio. "Se o incidente foi causado por uma explosão de gás, a quantidade de gás vazada pode ter sido muito maior do que a de um vazamento comum em tubulações ou equipamentos", afirmou Ritsu Dobashi, professor de engenharia de segurança contra incêndios e explosões da Universidade de Ciência de Tóquio. Segundo o Ministério da Terra, Infraestrutura, Transporte e Turismo do Japão, os requisitos de segurança contra incêndio para edifícios são definidos em diferentes níveis de acordo com fatores como tamanho, uso e localização. Embora grandes instalações estejam sujeitas a padrões mais rigorosos, autoridades do ministério afirmam que elas "não podem ser consideradas estruturalmente resistentes o suficiente para suportar uma explosão de gás".