Centenas de clientes e funcionários das lojas, rapidamente orientados pela equipe a deixar o edifício, assistiram horrorizados a uma explosão que rasgou a estrutura do shopping Shopping center na cidade de Kashima danificado após um terremoto atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão — Foto: KYODO/via REUTERS Funcionários de um shopping no sul do Japão relataram terem sido arremessados ao chão ou envolvidos por uma densa nuvem de poeira provocada pelo forte terremoto de magnitude 7,1 que sacudiu o prédio na terça-feira (28). Eles foram os sortudos. Pouco mais de uma hora depois, uma tragédia mortal atingiu o local. Centenas de clientes e funcionários das lojas, rapidamente orientados pela equipe a deixar o edifício, assistiram horrorizados a uma explosão que rasgou a estrutura do shopping, expondo suas vigas de aço e lançando destroços pelo estacionamento. Equipes de resgate, inicialmente receosas de entrar nos escombros, retiraram oito pessoas do prédio parcialmente desabado na madrugada desta quarta-feira, entre elas três já sem vida. O paradeiro de três funcionários das lojas ainda é desconhecido, informou a operadora do shopping, Aeon, acrescentando que investiga a possibilidade de um vazamento de gás. "Eu pensei que uma bomba tivesse explodido", disse Takateru Sonoda, 41 anos, proprietário de um salão de beleza com café nas proximidades do shopping, à agência de notícias Jiji Press. "Havia pessoas pedindo que todos evacuassem, as sirenes soavam sem parar. As ruas ao redor ficaram completamente congestionadas; era um cenário de pânico", afirmou Sonoda. A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, disse nesta quarta-feira que a operação para resgatar as pessoas ainda presas no shopping e outras afetadas pelo terremoto é uma "corrida contra o tempo". Cerca de 170 militares foram mobilizados para auxiliar nas operações de resgate. Shopping passou por reforma e reforços de segurança Imagens da câmera corporal da polícia mostram destroços no interior do shopping Aeon Mall , onde ocorreu uma explosão após um terremoto de magnitude 7,1 atingir a província de Kumamoto, no sul do Japão — Foto: Reuters O shopping, o maior da província, havia sido reaberto no mês passado como um novo complexo de compras e entretenimento para marcar sua recuperação de outro terremoto devastador ocorrido há uma década. Depois de sofrer graves danos no terremoto de magnitude 7,3 que atingiu Kumamoto em abril de 2016, a operadora destacou, durante a reconstrução, os tetos reforçados contra abalos sísmicos e outras melhorias voltadas à segurança e à resistência da estrutura. Ainda assim, um funcionário de uma das 200 lojas do shopping disse ao jornal Yomiuri que o tremor de terça-feira fez o edifício balançar por cerca de 10 segundos e o derrubou de joelhos. Outro funcionário, de 22 anos, que trabalha no cinema do shopping, contou ao jornal que o terremoto, ocorrido por volta das 16h30, levantou uma grande nuvem de poeira, aumentando ainda mais o pânico. O presidente da Aeon, Akio Yoshida, afirmou em entrevista coletiva nesta quarta-feira que os funcionários conseguiram evacuar cerca de 3 mil clientes em até meia hora após o terremoto. Mas um pequeno grupo permaneceu no interior do prédio quando, 50 minutos depois, ocorreu a explosão. "Confirmamos que todos os clientes haviam sido retirados. Acreditávamos que os funcionários também haviam deixado o prédio, mas posteriormente descobriu-se que algumas pessoas permaneceram no interior ou retornaram por algum motivo", disse Yoshida, acrescentando que um sobrevivente foi encontrado ferido em um banheiro. Do outro lado da rua, em um bar localizado a cerca de 300 metros do shopping, Kazuya Tsurunaga limpava pratos e copos quebrados pelo terremoto quando ouviu a explosão ensurdecedora. "Uma enorme nuvem de fumaça subiu. Como o vento soprava na direção do estabelecimento, parecia que cinzas vulcânicas estavam caindo sobre nós", disse à emissora TBS. Nas primeiras horas após a explosão, policiais e bombeiros evitaram entrar nos escombros devido ao risco de novos desabamentos em meio à sequência de réplicas, informou um policial. Até o fim da terça-feira, mais de 100 réplicas haviam sido registradas em Kumamoto. Gás é ‘altamente provável’ como causa da explosão Imagens gravadas por um policial no interior do prédio na madrugada desta quarta-feira mostraram grandes partes do teto desabadas, fachadas de lojas destruídas pela explosão e móveis espalhados pelo chão. Os 25 gatos que haviam ficado presos em um café temático para gatos durante a evacuação às pressas foram resgatados nesta quarta-feira, informou a proprietária do estabelecimento em uma publicação nas redes sociais, agradecendo às equipes de resgate. Alguns socorristas relataram ter sentido cheiro de gás, informou o porta-voz do governo japonês, Minoru Kihara, em entrevista coletiva nesta quarta-feira. Um repórter de TV que cobria o local afirmou que um veículo de emergência alertava repetidamente a população para não se aproximar do shopping devido à possibilidade de vazamento de gás. Representantes da Aeon disseram que o shopping utilizava GLP (gás liquefeito de petróleo), e não gás canalizado, sendo o combustível fornecido a partir de um tanque de armazenamento localizado na área externa do prédio. Segundo eles, o sistema havia passado por uma inspeção de segurança no mês passado. Imagens mostraram que o tanque externo parecia intacto após a explosão. O fornecimento de gás canalizado é interrompido automaticamente pelas operadoras quando a atividade sísmica ultrapassa determinado nível ou quando há danos na rede. Mas o GLP também conta com protocolos de segurança semelhantes, explicou um representante da associação japonesa de distribuidores de GLP. Medidores controlados por microcomputadores interrompem automaticamente o fornecimento ao detectar anormalidades, como vazamentos ou variações de pressão, e também são projetados para cortar o abastecimento durante fortes terremotos. Segundo ele, empresas fornecedoras de gás e prestadoras de serviços de segurança também podem interromper remotamente o fornecimento por meio de transmissão via rádio em situações de emergência. Yoshida afirmou que a possibilidade de a explosão ter sido provocada por gás é "muito alta", mas ressaltou que investigações detalhadas serão necessárias para determinar exatamente o que deu errado. "Não havíamos previsto totalmente que uma explosão desse tipo pudesse ocorrer", afirmou. "Ao longo dos anos de operação dos shoppings Aeon, nunca tivemos um acidente como este."