Coronel Venâncio Moura, anunciado no sábado na chapa do Republicanos, aponta traição e 'mentiras descaradas' dos líderes da sua legenda sobre aliança firmada com o ex-prefeito 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Coronel Venâncio Moura (DC) e Garotinho (Republicanos); Eduardo Paes (PSD) e Renato Cozzolino (DC) — Foto: Reprodução/Instagram Após ter o coronel da reserva Venâncio Moura (DC) anunciado como vice na chapa do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) ao governo do Rio de Janeiro, no sábado, o Democracia Cristã (DC) oficializou, nesta terça-feira, o apoio à candidatura do ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD. Nas redes sociais, no entanto, Moura alegou ter sido traído pela sigla, e afirmou que continuará "até o fim" ao lado de Garotinho. — Eu dei a minha palavra e vou até o fim apoiando o Garotinho. DC: Democracia Cristão ou dupla cara? — acusou o coronel, que destacou ter "ouvido mentiras descaradas" de seus correligionários sobre a possibilidade do apoio a Paes. No sábado, durante a convenção do Republicanos, realizada na Tijuca, Zona Norte da capital, Moura e Garotinho subiram no palco de mãos dadas. A chapa majoritária também é composta pelos ex-prefeitos Marcelo Crivella (do Rio) e Waguinho (de Belford Roxo), que irão concorrer ao Senado. Já nesta terça-feira, em comunicado divulgado por vídeo — e compartilhado por Garotinho —, Moura contou que, ao questionar a cúpula do partido sobre o apoio a Paes em reuniões realizadas durante a manhã, a possibilidade havia sido rechaçada. No entanto, à tarde, o acordo foi fechado. O coronel, que também é ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), definiu a postura como um "teatro". — A liderança do partido olhou na minha cara, deu tapinha no ombro e jurou de pé junto: "coronel, nós não vamos fechar a ata hoje, não vai ter almoço com o Eduardo Paes e você é nosso vice". Balela, puro circo. Foi só eu cruzar a porta da rua e o teatrinho acabou — acusou Moura. — Se essa gente tem coragem de fazer isso com um candidato do próprio partido, imagina o que não faz com você no dia a dia. É esse tipo de gente que está pedindo seu voto — completou. Ainda de acordo com o ex-policial, o DC teria "vendido" o próprio partido em troca de tirá-lo da disputa ao lado de Garotinho. Questionado pelo GLOBO, o presidente da legenda, João Caldas, não respondeu sobre as acusações. — Para mim, missão dada é missão cumprida. Eu dei a minha palavra e vou até o fim apoiando o Garotinho, porque a farda não dobra para covarde, e a minha lealdade não tem preço. Escolham muito bem em quem vocês vão votar — continuou Moura. Paes agradeceu apoio Nas redes sociais, também nesta terça-feira, Paes agradeceu ao DC pela oficialização da aliança: "Agradeço ao partido pelo apoio à minha candidatura, definido pela Comissão Executiva do partido após convenção realizada nesta tarde (ontem)", escreveu o ex-prefeito. O encontro contou com a presença do ex-prefeito de Magé Renato Cozzolino, pré-candidato a deputado federal pelo DC. Em divulgou fotos e vídeos de uma conversa com Paes antes da realização da convenção do partido, e afirmou que está "do lado certo da história". "Do lado certo da história, ao lado das pessoas. O Rio precisa de quem faz, e não de quem promete. Duas lideranças, um só propósito: lutar por um Rio mais forte, justo e mais representado", publicou Cozzolino. Eduardo Paes (PSD) e Renato Cozzolino (DC), em encontro nesta terça-feira (28-7) — Foto: Reprodução/Instagram 'Libertar o Rio de Janeiro' Na convenção, no sábado, em um discurso marcado por ataques a adversários, Garotinho afirmou que, se eleito, terá como primeira missão “libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas” que, segundo ele, dominam o estado. O candidato do Republicanos equiparou a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) ao tráfico de drogas e às milícias. — A tarefa número um do nosso governo é libertar o Rio de Janeiro das três organizações criminosas que dominam esse estado: os criminosos do tráfico, os criminosos da milícia e os criminosos da Alerj. Talvez essa seja a pior das facções — afirmou. Garotinho também criticou o cenário político fluminense. Sem citar nomes, afirmou que o estado tem “um governo desmoralizado”, em referência ao governador Cláudio Castro, e atacou o prefeito do Rio, Eduardo Paes. Na área da saúde, o ex-governador prometeu acabar com a fila do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), que classificou como a “fila da mentira”. Segundo ele, a solução será ampliar o funcionamento da rede hospitalar. Ao tratar da educação, Garotinho afirmou que pretende promover uma “revolução” no ensino público para preparar os estudantes para as novas profissões e para o mercado de trabalho. O ex-governador defendeu, ainda, sua experiência na área de segurança pública e afirmou que pretende adotar uma estratégia diferente da atual gestão para o enfrentamento ao crime organizado. Entre as ideias estão a criação um batalhão especializado, que chamou de “Bope 2.0”, para permanecer em comunidades até a retirada definitiva das facções criminosas. Corrida eleitoral Paes lidera com folga, até o momento, todos os cenários para a disputa do governo do estado, conforme pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira. Ele é seguido justamente por Garotinho, que, no principal cenário, marca 10% no primeiro turno — empatado com o deputado estadual Douglas Ruas (PL), escolhido pelo PL como o sucessor do ex-governador Claudio Castro (PL). Intenção de voto ao governo do Rio (1º turno) — Foto: Editoria de Arte A volta de Garotinho à disputa eleitoral foi viabilizada por uma decisão liminar do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu os efeitos de sua condenação no âmbito da Operação Chequinho e afastou, provisoriamente, sua inelegibilidade. O ex-governador teve a candidatura oficializada na tarde deste sábado durante a convenção estadual do Republicanos. Em uma eventual disputa de segundo turno entre Paes e Garotinho, o ex-prefeito teria 48% de intenções de voto, contra 18% do ex-chefe do Executivo fluminense. Os indecisos são 11%, e branco/nulo/não vai votar, 23%.