Tribunal de Brescia aponta insolvência e decreta liquidação judicial do clube, que acumulava dívida de quase € 20 milhões 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Pirlo e Baggio no Brescia, da Itália — Foto: Reprodução/X O Brescia, um dos clubes mais tradicionais do futebol italiano e responsável por revelar nomes como Andrea Pirlo e Sandro Tonali, teve a liquidação judicial decretada pelo Tribunal de Brescia, encerrando uma história de 114 anos. A decisão confirma o desaparecimento da equipe do futebol profissional após uma grave crise financeira que levou ao acúmulo de uma dívida próxima de € 20 milhões. Os juízes concluíram que o clube se encontrava em um "claro estado de insolvência" e rejeitaram as tentativas de reestruturação apresentadas pela diretoria. Segundo o tribunal, as propostas não eram suficientes para garantir a continuidade das atividades nem para assegurar o pagamento aos credores. Crise culminou com perda da licença O processo de deterioração financeira do Brescia ganhou força há cerca de um ano e meio, quando vieram à tona irregularidades no pagamento de salários e contribuições trabalhistas. As infrações resultaram em punições esportivas, incluindo a perda de oito pontos e o rebaixamento da equipe. A situação se agravou quando o clube não conseguiu cumprir os requisitos para se inscrever na Serie C, perdendo a licença federativa e ficando fora do futebol profissional italiano. Berço de grandes nomes Ao longo de sua história, o Brescia revelou ou recebeu alguns dos principais personagens do futebol italiano e mundial. Foi no clube que Andrea Pirlo iniciou sua trajetória antes de se tornar campeão do mundo com a Itália. Décadas depois, Sandro Tonali também surgiu nas categorias de base da equipe. O Brescia ainda marcou a reta final da carreira de Roberto Baggio, um dos maiores ídolos da seleção italiana, e contou com Pep Guardiola como jogador entre 2001 e 2003, antes de o espanhol construir uma das carreiras mais vitoriosas da história como treinador. Após a sentença, o proprietário do clube, Massimo Cellino, criticou a decisão da Justiça italiana e classificou o desfecho como um castigo. "É simplesmente um castigo. Não pensei que a amargura pudesse prevalecer sobre a razão", afirmou. O dirigente também lamentou o impacto financeiro da liquidação para os credores, afirmando que eles deixarão de receber mais de € 5 milhões.