O mês de julho costumava ser sinônimo de férias escolares para estudantes brasileiros, mas essa tradição vem mudando desde que as redes públicas de ensino passaram a encurtar o recesso de meio de ano.

Sob o argumento de que a interrupção prolongada prejudica o aprendizado e dificulta a rotina dos pais, alguns estados passaram a reservar apenas uma semana para as férias de julho no calendário escolar.

A mudança, porém, tem provocado um debate entre pesquisadores e educadores. Para eles, o encurtamento das férias vai além de uma alteração no calendário escolar: reflete uma crescente pressão para que a escola funcione em uma lógica permanente de produtividade, reduzindo espaços de descanso considerados fundamentais para o desenvolvimento dos estudantes e para a saúde dos professores.

As redes de ensino argumentam ter autonomia para definir o calendário escolar e dizem não ter reduzido as férias durante o ano, já que continuam assegurando o cumprimento dos 200 dias letivos previstos na legislação federal. Alguns gestores defendem a diminuição da interrupção das aulas no meio do ano para reduzir perdas de aprendizagem.

Neste ano, ao menos quatro grandes redes estaduais diminuíram o período de férias. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as férias das escolas estaduais foram de apenas sete dias para alunos e professores. No ano passado, os estudantes tinham 14 dias de descanso, e os docentes, sete.