'Ele era extremamente favorável às guerras — nunca viu uma guerra de que não gostasse', disse o presidente americano ao prestar homenagem para o senador O presidente Donald Trump discursa no funeral do senador Lindsey Graham , RS.C., na Catedral Nacional de Washington, na terça-feira, 28 de julho de 2026, em Washington — Foto: Alex Brandon/Pool via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, homenageou nesta terça-feira o senador republicano Lindsey Graham como uma figura marcante da política americana e um defensor inabalável de uma política externa intervencionista, enquanto líderes de Israel e da Ucrânia se uniram às principais autoridades de Washington em seu funeral. Mais cedo, parlamentares prestaram homenagens a Graham na Rotunda do Capitólio, lembrando um dos últimos republicanos de destaque a defender o uso firme do poder militar americano no exterior como uma figura extrovertida, bem-humorada e persuasiva. "Ele era extremamente favorável às guerras — nunca viu uma guerra de que não gostasse", disse Trump. "Nada de importante acontecia em qualquer lugar do mundo sem que Lindsey Graham tivesse uma opinião sobre o assunto." O presidente lamentou a morte do colega de partido, lembrando dele tanto como um de seus parceiros preferidos de golfe quanto como um conselheiro indispensável para navegar a política partidária em Washington. Graham, senador republicano pela Carolina do Sul, morreu repentinamente de um problema cardíaco em 11 de julho, aos 71 anos. Ele defendia regularmente um papel intervencionista dos EUA no cenário internacional. Era um forte apoiador de Israel e da Ucrânia, e tanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, viajaram a Washington para prestar homenagens nesta terça-feira. Os carregadores transportam o caixão do falecido senador americano Lindsey Graham (republicano da Carolina do Sul) no dia de seu funeral na Catedral Nacional de Washington, em Washington, D.C., EUA, em 28 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Ken Cedeno Poder de persuasão Na cerimônia no Capitólio, o vice-presidente J.D. Vance lembrou Graham como uma figura cativante no Senado, cujas piadas de duplo sentido o faziam rir a ponto de sentir dores na barriga. "Como ele amava as pessoas, via o Senado, em seu melhor momento, como uma instituição de deliberação voltada a convencer as pessoas", afirmou Vance. O líder da maioria no Senado, John Thune, disse que "não havia ninguém, absolutamente ninguém, que levasse seu trabalho mais a sério do que Lindsey Graham, mas também ninguém mais capaz de fazer uma sala inteira cair na gargalhada durante a semana de trabalho aqui em Washington". Os participantes também lembraram da capacidade de Graham de conquistar líderes de países aliados dos EUA. Graham se reuniu com Zelensky em Kiev apenas um dia antes de sua morte, na décima visita que fez à Ucrânia desde a invasão russa de 2022. Nesta terça-feira, o Senado deveria votar um pacote bipartidário de novas sanções contra a Rússia, cuja aprovação Graham buscou impulsionar nos últimos dias de vida. Graham foi um dos aliados mais visíveis de Trump, aparecendo com frequência em canais de notícias por televisão a cabo para defender as políticas do governo. Nos últimos meses, tornou-se um firme defensor da impopular guerra contra o Irã. Sua defesa firme, abrangente e muitas vezes contundente de suas posições também provocou forte oposição de democratas e outros críticos. Graham foi alvo de críticas por sua postura maximalista em relação às guerras, incluindo a defesa da destruição completa de Gaza após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em outubro de 2023, por afirmar que não havia racismo sistêmico nos EUA e por fazer comentários em tom de brincadeira sobre a história de segregação racial do país. "Se você é um jovem afro-americano ou um imigrante, pode chegar a qualquer lugar neste Estado", disse Graham durante um debate em 2020. "Você só precisa ser conservador, não liberal." O presidente do Comitê Judiciário do Senado, senador Lindsey Graham, fala durante uma audiência no Capitólio, em Washington, Estados Unidos — Foto: Erin Schaff/The New York Times via AP Irmã disputará vaga no Senado Graham disputava um quinto mandato no Senado após vencer as primárias republicanas da Carolina do Sul em junho. Sua irmã, Darline Graham, foi nomeada pelo governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, para cumprir o restante de seu mandato. Ela anunciou que pretende disputar um mandato completo de seis anos nas eleições de novembro, com o apoio de Trump. A candidata democrata, a pediatra Annie Andrews, é considerada pouco competitiva em um Estado que tradicionalmente vota nos republicanos. Lindsey Graham tornou-se tutor legal da irmã após a morte dos pais, quando ela ainda era criança. Ex-advogado da Força Aérea americana e integrante da Guarda Aérea Nacional da Carolina do Sul, Graham atuou na Assembleia Legislativa estadual e na Câmara dos Representantes dos EUA antes de ser eleito para o Senado em 2002. Ele chegou a disputar brevemente a indicação republicana à Presidência em 2016, quando se opunha fortemente à candidatura de Trump. Na época, chamou o futuro presidente de "demagogo racista, xenófobo e fanático religioso" em entrevista à CNN. Mais tarde, porém, tornou-se um dos aliados mais leais de Trump no Senado, e os dois passaram a jogar golfe juntos com frequência. Além das cerimônias desta terça-feira em Washington, haverá serviços fúnebres para Graham na quarta-feira, na Carolina do Sul, onde ele será sepultado.